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Marc-André Selosse afirma que o solo é a bela adormecida dos vinhedos

Sol dos vinhedos, joia invisível, sofre com pesticidas e manejo inadequado; sem equilíbrio, o terroir pode perder qualidade e sustentabilidade do vinho

Marc-André Selosse, biologiste et professeur au Muséum national d'histoire naturelle à Paris.
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  • Marc‑André Selosse alerta para a pouca compreensão das interações subterrâneas entre sistema radicular das vinhas e fungos, importantes para a qualidade do vinho.
  • Estudos indicam que os solos mais degradados estão em pomares e vinhedos; em 2024, a vinha respondia por 3% da superfície agrícola útil (SAU) nacional e 18 a 20% dos insumos.
  • Fungos micorrízicos, em symbiose com as raízes, ajudam na alimentação e na proteção da planta, mas são fortemente afetados por pesticidas.
  • O manejo do solo, especialmente o arado entre as linhas, aumenta a erosão e dificulta a conservação de água; a prática de cobertura vegetal (envelhecimento/revestimento) é recomendada para melhorar a saúde do solo.
  • Soluções citadas incluem cepas ResDur de resistência prolongada aos climas extremos e o uso de porta‑grouas, que podem reduzir pesticidas e ajustar características do vinho, sem abandonar a viticultura.

Marc-André Selosse, microbiologista e ecólogo do Muséum national d’histoire naturelle de Paris, alerta para a pouca compreensão das interações subterrâneas entre raízes de videiras e fungos. Ele considera a symbiose vital para a qualidade do vinho, mas hoje ameaçada.

Selosse destaca que o solo é uma “bela adormecida” dos vinhedos. O interesse pelo solo é menor que pelo que acontece acima da superfície, embora ele seja central para a saúde das plantas e a expressão do terroir.

A pesquisa dele envolve symbioses micorhízicas, que ajudam a planta a obter água e nutrientes em troca de açúcares. Esse relationships influenciam desde o vigor da videira até características do vinho, como compostos aromáticos.

O estado atual do solo

Para entender o solo, Selosse cita avaliações de instituições como o Inrae. Solos de vinhedos e pomares aparecem entre os mais degradados pela ação humana, com impactos claros na produção agrícola e, especificamente, na viticultura.

Ele aponta que a viticultura consome insumos significativos. Entre 18% e 20% dos fertilizantes e pesticidas da SAU nacional são utilizados na vinha, o que intensifica danos à vida do solo e pode afetar a qualidade final do vinho.

Aplantar ou cultivar sem considerar o solo pode levar à erosão acelerada, especialmente em vinhedos em aclive. Em solos mal protegidos, a água não penetra e reservas hídricas caem, comprometendo as raízes.

Práticas agrícolas e impactos

Selosse critica o manejo tradicional do solo, especialmente o labour entre as linhas de cultivo. O arado pode destruir fungos benéficos, reduzir a matéria orgânica e favorecer erosão, diminuindo a capacidade de retenção de água.

Ele afirma que o solo pode se degradar a ponto de desaparecer, principalmente sob condições climáticas extremas. Embora as videiras acessem profundidades relevantes, a saúde do perfil superficial é essencial para a resistência da planta.

Entre as soluções, o especialista defende reduzir pesticidas, aumentar a cobertura vegetal e enraizar o solo com o plantio de gramíneas e leguminosas. A ideia é manter a biodiversidade subterrânea e capturar carbono.

Caminhos propostos para o terroir

Novas opções incluem vinhos resistentes a partir de variedades ResDur, desenvolvidas pelo Inra, que demandam menos pesticidas. Porta-greens também podem ajudar a adaptar as vinhas à seca e modular a acidez dos mostos.

O enraizamento profundo, aliado à cobertura vegetal, pode melhorar a retenção de água e a disponibilidade de nutrientes. Combinar técnicas de manejo com inovação genética pode preservar a tipicidade dos vinhos.

Selosse conclui que o solo é parte essencial do terroir e merece maior atenção. Mudanças de práticas, mantendo a qualidade do vinho, são necessárias para enfrentar clima e pressões agrícolas. O futuro da viticultura depende disso.

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