- Cientistas usam o satélite Icarus para monitorar sinais de pânico de animais a partir do espaço, com o objetivo de identificar e prevenir a atuação de caçadores.
- Em Okambara, Namíbia, um experimento simulou a chegada de uma ameaça com intrusos armados, observando padrões de fuga de espécies como girafas, zebras e antílopes ao longo de três dias.
- Okambara tem 169 km² e aproximadamente 5% dos grandes animais estão equipados com tags de GPS, visando oferecer alertas em tempo real para guardas florestais.
- As tags apresentam sensores que registram posição, atividade, frequência cardíaca e condições ambientais, além de emitir avisos de mortalidade quando o animal não se move como de costume.
- A iniciativa Icarus planeja, até 2027, ter seis receptores em órbita para fornecer dados em tempo real de animais em todo o planeta, fortalecendo a proteção de espécies como rinocerontes e felinos em várias regiões.
Okambara, Namíbia — Pesquisadores simulam a chegada de uma ameaça humana para estudar o comportamento de animais e testar um sistema de alertas em tempo real. O experimento ocorre em uma reserva de 169 km², com o objetivo de melhorar a proteção contra caça furtiva.
Na intervenção, seis intrusos simulam caça com um rifle, enquanto drones capturam como espécies como antílopes, zebras e girafas perpassam o cenário. O exercício não envolve vítimas humanas nem violência real, mas gera padrões de pânico que alimentam a pesquisa.
O estudo é liderado pelo Max Planck Institute of Animal Behavior, sob a coordenação de Martin Wikelski. O local testará, em campo, o processamento de sinais de pânico para treinar algoritmos de alerta a guardas florestais.
Internet das Animais
O projeto utiliza etiquetas GPS ligadas a milhares de animais para monitorar deslocamentos, batimento cardíaco e temperatura. O objetivo é ampliar o alcance global do sistema de vigilância em tempo real, conectando parques e reservas ao espaço.
O Okambara serve como laboratório piloto, com dados transmitidos a torres e, futuramente, a satélites. A meta é cruzar informações de campo com imagens de satélite para detectar ameaças com maior antecedência.
Os pesquisadores destacam que conectividade terrestre atual é o principal desafio. Tags menores, baterias mais eficientes e redes de transmissão robustas são prioridades para ampliar cobertura.
O sistema já mostrou potencial em Kruger, África do Sul, onde tem ajudado a resgatar animais presos em armadilhas. A expectativa é estender a vigilância a espécies como rinocerontes, diante da pressão de caçadores ilegais.
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