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Rainha da dependência química nos EUA recorre a psicodélicos

Diretora do Nida, Nora Volkow, aponta potencial terapêutico de psicodélicos na psiquiatria, em APA, com apoio de Trump à aceleração de pesquisas

Marcelo Leite
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  • A médica Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional de Abuso de Drogas (Nida) dos Estados Unidos, afirmou na reunião anual da Associação Psiquiátrica Americana, em São Francisco, entre 16 e 20 de maio, que a ibogaína está entre os psicodélicos mais promissores em testes terapêuticos.
  • Dois anos atrás, Volkow disse ao boletim Stat ser improvável a aprovação da ibogaína para dependência; agora ela aponta o composto da planta africana Tabernanthe iboga como um dos psicodélicos mais avançados em pesquisas terapêuticas, conforme o Psychedelic Alpha.
  • A declaração de apoio ocorreu na palestra de Volkow na APA; um mês antes, o ex-presidente Donald Trump assinou ordem executiva para acelerar a pesquisa clínica com psicodélicos, com destaque para a ibogaína.
  • Volkow relatou viagem a Cancún, México, onde visitou a clínica Transcend, considerada uma das com maior reputação no uso de ibogaína, e discutiu relatos de pacientes sobre supostas curas de depressão e dependência.
  • Ela enfatizou que não se deve confiar apenas em relatos, apoiando-se em dados de pesquisas sobre abstinência prolongada de álcool e tabaco após dose de psilocibina, e reconheceu que o efeito placebo pode influenciar resultados.

Diante de avanços recentes, Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional de Abuso de Drogas (NIDA) dos EUA, manifestou suporte a terapias com psicodélicos durante a reunião anual da Associação Psiquiátrica Americana (APA) em São Francisco, de 16 a 20 de maio. A fala ocorreu em meio a discussões sobre uso clínico da ibogaína e outras substâncias.

Volkow destacou que, após anos de ceticismo, há evidências que tornam algumas substâncias promissoras para tratamentos de dependência e transtornos psiquiátricos. Ela alertou, porém, para a necessidade de dados robustos e supervisão clínica, evitando conclusões apressadas.

Na prática, a pesquisadora lembrou que a ibogaína é objeto de interesse em testes clínicos, com foco no tratamento de dependência e transtorno de estresse pós-traumático. Ela citou exemplos de centros de pesquisa e relatou visitas a clínicas no México para observar abordagens de avaliação, triagem e manejo farmacológico.

A ligação de Volkow com o tema vem também de declarações públicas sobre a importância de evidências. Em referência a estudos de longo prazo sobre abstinência, a diretora ressaltou que o placebo pode influenciar resultados, enfatizando a necessidade de interpretações cuidadosas.

Contexto internacional aponta que o governo dos EUA tem incentivado o avanço da pesquisa clínica com psicodélicos. Em abril, uma ordem executiva assinada pela administração anterior acelerou o acesso a pesquisas, com especial atenção à ibogaína como candidato terapêutico.

Sobre o cenário no México, Volkow mencionou experiências em centros de tratamento no país, onde veteranos de guerra procuram ibogaína para transtorno de estresse pós-traumático. Ela descreveu observações sobre supervisão clínica e critérios de seleção de pacientes.

A médica frisou que, embora haja interesse crescente, é crucial basear decisões em dados sólidos. O objetivo é avançar na psiquiatria com substâncias antigas, combinando psicoterapia e manejo terapêutico adequado.

A discussão envolve ainda uma conversa mais ampla sobre expectativas, eficácia e segurança das psicodélicas na prática clínica. Pesquisadores na América Latina acompanham o debate com cautela, buscando resultados replicáveis e avaliações de longo prazo.

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