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Startup britânica leva fabricação de anticâncer ao espaço

BioOrbit envia caixa de cristalização de proteínas à ISS para produzir cristais que viabilizam medicamentos contra o câncer em uso domiciliar, com produção prevista

BioOrbit enviou à Estação Espacial Internacional uma caixa de alta tecnologia para cultivar cristais ultrapuros de proteínas — Foto: Reprodução/LinkedIn BioOrbit
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  • A startup britânica BioOrbit enviou à Estação Espacial Internacional uma unidade chamada Box-E, para cultivar cristais ultrapuros de proteínas com o objetivo de produzir medicamentos contra o câncer para uso pelos próprios pacientes.
  • A caixa, do tamanho de um micro-ondas, foi lançada a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo de uma missão da SpaceX, e deve permanecer em órbita por cerca de seis semanas.
  • Na microgravidade, os cristais podem se formar de modo mais estável, abrindo a possibilidade de formulações de medicamentos não alcançáveis na Terra.
  • A ideia é transformar os cristais obtidos no espaço em tratamentos que pacientes possam aplicar em casa, com maior vida útil e sem necessidade de infusões hospitalares longas.
  • Já houve experimentos na ISS que mostraram resultados promissores, incluindo testes com cristais de proteínas de medicamentos oncológicos como o Keytruda; se bem-sucedidos, poderão levar anos até chegar ao mercado, devido a testes clínicos e aprovações regulatórias.

A BioOrbit, startup britânica, enviou para a Estação Espacial Internacional uma caixa de alta tecnologia para cultivar cristais ultrapuros de proteínas. O envio ocorreu no dia 15 a bordo de uma missão da SpaceX. O objetivo é produzir medicamentos contra o câncer que possam ser aplicados pelos próprios pacientes em casa.

A unidade, batizada Box-E, foi desenvolvida pela empresa em Londres e decolou do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Em órbita por cerca de seis semanas, a ausência de peso facilita a cristalização de compostos farmacêuticos em estruturas estáveis, potencialmente superiores aos obtidos na Terra.

A ideia é transformar os cristais obtidos no espaço em formulações que pacientes possam armazenar na geladeira e aplicar sozinhos. Esses formatos buscariam viabilizar administrações mais rápidas e com vida útil mais longa, reduzindo visitas a hospitais.

Avanços e perspectivas

Katie King, cofundadora e CEO da BioOrbit, afirma que os testes orbitais representam um salto para a produção de cristais de proteínas em escala. Ela ressalta que a gravidade terrestre atrapalha a cristalização de moléculas grandes, como anticorpos, tornando o espaço mais propício para o processo.

King explica que tratamentos oncológicos costumam exigir doses elevadas, o que aumenta a viscosidade de soluções e complica aplicações domiciliares. Com cristais, seria possível obter formulações mais concentradas com viscosidade compatível com injeção.

Cientistas da Merck já demonstraram, em aros passados, a viabilidade de cristalização de proteínas de medicamentos oncológicos para novas formas de administração. Em alguns casos, a experiência resultou em propostas de aplicação rápida aprovadas por reguladores.

A BioOrbit planeja ampliar a produção com várias unidades Box-E, caso os resultados sejam positivos. A empresa estima que, se bem-sucedidos, os testes devem levar pelo menos cinco anos até a disponibilização de novas formulações no mercado, sujeitas a aprovação regulatória.

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