- A BioOrbit enviou a Box-E, unidade do tamanho de um micro-ondas, em 15 de maio de Kennedy Space Center, para orbitar a Estação Espacial Internacional por cerca de seis semanas e favorecer a cristalização de proteínas.
- A gravidade zero permite criar cristais mais puros e estáveis, viabilizando formulações de drogas contra câncer que não são alcançadas na Terra, com possibilidade de aplicação em doses que o paciente pode injetar em casa.
- Experimentos anteriores, incluindo com a empresa Merck, já mostraram cristais de proteínas usados para tornar tratamentos como o Keytruda mais rápidos de aplicar; a forma hipodérmica já recebeu aprovação regulatória nos Estados Unidos.
- A diretora executiva, Dra. Katie King, afirma que Box-E é o primeiro passo para massificar a produção de cristais no espaço e reduzir visitas a hospitais, com potencial economia para o sistema de saúde.
- A BioOrbit levantou £9,8 milhões em financiamento e firmou contratos, incluindo £250 mil com a Agência Espacial britânica, para fabricar medicamentos no microgravidade e buscar parcerias com várias multinacionais.
A BioOrbit, startup britânica, enviou Box-E, uma unidade do tamanho de um micro-ondas, para a Estação Espacial Internacional via SpaceX em 15 de maio, do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O objetivo é cultivar cristais de proteínas ultrapurificados em microgravidade para formular medicamentos anticâncer que possam ser autoaplicados.
Os cristais, formados no espaço, devem permitir formulações de maior concentração e menor viscosidade, viáveis para injeção em casa ou no trabalho. Em terra, a gravidade atrapalha a cristalização de moléculas grandes como proteínas e anticorpos.
Box-E ficará em órbita por cerca de seis semanas, período em que o ambiente de microgravidade favorece a cristalização estável. Ao retornar, os cristais são convertidos em medicamentos que podem ter vida útil maior.
A empresa planeja produção em massa no espaço, com várias unidades Box-E operando juntas. O objetivo é processar milhares de litros por ano e alcançar fornecimento para um fármaco de impacto alto, com uso intensivo de cristais.
Katie King, cofundadora e CEO, afirma que o teste orbital representa avanço significativo na produção de cristais de proteínas. King tem PhD em nanomedicina e já realizou estágio na NASA.
King destaca que a tecnologia pode facilitar formulações de anticorpos para uso clínico, oferecendo opções de entrega mais rápidas que infusões intravenosas longas. Ela critica a viscosidade de líquidos usados hoje.
A BioOrbit levantou 9,8 milhões de libras em financiamento, liderado pela LocalGlobe e Breega, para levar a tecnologia ao espaço e financiar a construção de hardware. A empresa também recebeu contrato de 250 mil libras da Space Agency britânica.
O estudo de 2023, envolvendo a empresa, já mostrou interesse de várias companhias multinacionais. A BioOrbit busca parcerias para desenvolver e comercializar os fármacos em diferentes mercados.
A fabricante de cápsulas espaciais Varda Space Industries, dos EUA, realiza trabalhos similares com moléculas terapêuticas e já coopera com United Therapeutics para tratamentos de doenças raras.
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