- Uso histórico de tijolos de barro poroso, jarros de água em janelas e torres de vento (Badgirs) para resfriar ambientes em climas quentes, antes do ar-condicionado.
- O resfriamento evaporativo funciona quando a água evapora, retirando calor do ar e das superfícies, deixando o ambiente mais frio.
- Tijolos de resfriamento, também chamados de Cool Bricks, combinam barro cru poroso, aberturas para o fluxo de ar e água interna, às vezes com geometria otimizada ou impressão 3D.
- Jarros de água em janelas agem como reservatórios porosos que evaporam na superfície externa, resfriando o ar que passa por eles.
- Torres de vento (Badgirs) captam o vento e, com fontes de água ou paredes úmidas, promovem ventilação natural e resfriamento evaporativo no interior.
Em diversas civilizações, a busca por ambientes internos mais frescos em climas quentes era feita com água, barro e circulação de ar. Antes do ar-condicionado, casas, pátios e ventilação natural reduziam o calor pela evaporação da água. Hoje, esse resfriamento evaporativo tradicional volta a aparecer em debates de arquitetura sustentável.
A base é simples: água que evapora de superfícies porosas retira calor do ambiente, deixando o ar mais fresco. Materiais como tijolos de barro e cerâmica não vitrificada ampliam a área de contato com o ar, promovendo evaporação em múltiplos pontos.
Quando úmidos, blocos ou jarros próximos a aberturas permitem que o vento retire o vapor e leve ar mais seco para o interior. O processo transforma calor sensível em calor latente, reduzindo a temperatura das paredes e do ambiente.
Tijolos de resfriamento e Cool Bricks
Tijolos de resfriamento de barro cru ou cerâmica porosa eram usados em paredes externas, divisórias ou janelas, alimentados pela água. Em climas áridos, a superfície úmida mantinha o sistema ativo durante o dia mais quente. E modernos módulos chamados Cool Bricks adaptam essa ideia a fachadas de edifícios.
Esses blocos otimizam geometrias para favorecer a passagem de ar e a retenção de água em reservatórios internos. Impressão 3D com cerâmica cria cavidades que funcionam como um labirinto de evaporação, reduzindo a necessidade de climatização mecânica.
Jarros de água em janelas: um ar-condicionado ancestral?
Jarros de barro cheios de água colocados em janelas ou portas são exemplos de resfriamento passivo. O vento atravessa a superfície úmida, promovendo evaporação e ar mais frio entrando nos cômodos. Em algumas regiões, tecidos úmidos funcionavam como cortinas evaporativas.
O jarro atua como reservatório poroso: a água migra para a superfície externa e evapora. O ar que passa pela área molhada fica mais fresco, com leve aumento de umidade relativo. O efeito é mais eficiente em baixa umidade.
Torres de vento (Badgirs) e inovação
Badgirs são torres de vento que captam ar externo e o conduzem para o interior. Em cidades do Irã, Egito e outras áreas, canais de água e paredes úmidas completavam a ventilação natural com resfriamento evaporativo. O ar frio desce, o quente é expulso, promovendo renovação sem energia elétrica.
O conhecimento antigo inspira práticas bioclimáticas atuais. Fachadas ventiladas com blocos cerâmicos irrigados, pátios com espelhos d’água e coberturas verdes combinam materiais porosos, água e ventos locais para reduzir temperaturas internas e consumo de energia.
Essas estratégias indicam que não depende apenas de tecnologia moderna. Ao alinhar física básica da evaporação, materiais adequados e leitura do vento, surgem soluções relevantes para cidades com ilhas de calor, melhoria do ar e menos dependência de ar-condicionado.
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