- Aproximadamente 2.000 municípios brasileiros estão sob risco de deslizamentos e inundações, e a maioria não tem instrumentos básicos de gestão de risco.
- Sessenta e cinco? Não, corretivo: 75% possuem menos da metade dos planos e mapeamentos obrigatórios; 91% não têm o plano de obras para reduzir os riscos.
- A situação é mais crítica no Nordeste, onde há menor disponibilidade de recursos e estrutura para enfrentar calamidades.
- O estudo, publicado na Revista Brasileira de Geografia, é conduzido por André Luiz Martins Cotting, vinculado ao Cemaden e à Fapesp, e integra o dossiê Clima Urbano.
- Entre os municípios prioritários, 63% têm mapeamento de riscos de inundações e 45% de deslizamentos; menos de 9% dispõem de planos de implantação de obras; 13% dos 267 prioritários não têm defesa civil municipal.
Em torno de 2.000 municípios brasileiros estão expostos a deslizamentos e inundações, segundo pesquisa do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. O estudo integra o dossiê Clima Urbano da Revista Brasileira de Geografia.
A análise aponta que 75% das cidades possuem menos da metade dos planos e mapeamentos obrigatórios, e 91% não contam com o plano de obras necessário para reduzir riscos. A carência se concentra onde os recursos são mais baixos: o Nordeste.
Desafios na implementação
O levantamento, feito com base na Pesquisa de Informações Básicas Municipais do IBGE, abrange 2.086 municípios prioritários para Gestão de Riscos de Desastres geo-hidrológicos. Em 267 municípios, 13% não possuem defesa civil municipal.
Entre os instrumentos, o mapa de riscos para inundações está presente em 63% dos municípios prioritários, enquanto apenas 45% têm mapeamento para deslizamentos. Planos de implantação de obras de redução de riscos aparecem em menos de 9%.
Os autores destacam que a atualização do cadastro de municípios prioritários precisa vir acompanhada de ações para fortalecer capacidades locais. O objetivo é viabilizar a implementação efetiva das ferramentas de GRD.
Para o estudo, o líder do projeto ressalta a necessidade de ampliar capacidade institucional e financeira. O objetivo é facilitar a adoção de instrumentos de proteção e defesa civil a curto prazo.
Pesquisadores do Cemaden consideram o estudo relevante para orientar políticas públicas. Acesso aos resultados, segundo eles, pode acelerar a mobilização de gestores e legisladores para medidas preventivas.
Entre na conversa da comunidade