- Ferramentas de IA ajudam a avaliar a qualidade de espermatozoides, óvulos e embriões, além de orientar doses hormonais e o momento ideal de transferência.
- A IA já é usada em várias etapas da fertilização in vitro no Brasil, com monitoramento por incubadoras como o Embryoscope que gera imagens para análise; a tecnologia está presente em cinquenta e oito clínicas no país (Future Fertility) e em todas as de FertGroup, com quinze unidades.
- O uso de IA pode acrescentar entre R$ 1.500 e R$ 2.000 ao custo de um ciclo, que costuma variar entre R$ 15 mil e R$ 45 mil.
- A SBRA não tem dados disponíveis sobre o alcance da IA nas clínicas brasileiras.
- Especialistas destacam que a IA não substitui o médico, mas aumenta a padronização na seleção de embriões e pode reduzir o tempo para obter gravidez, sem assegurar resultados.
A inteligência artificial (IA) já é usada na fertilização in vitro (FIV) para analisar a qualidade de espermatozoides, óvulos e embriões, além de sugerir doses hormonais. O objetivo é reduzir o tempo de tratamento e o número de tentativas frustradas, mantendo o critério humano na decisão clínica.
Casos recentes ilustram o uso da IA em diferentes fases. Ferramentas analisam padrões como simetria e granulosidade para classificar embriões e orientar a transferência ao útero. Também ajudam na seleção de óvulos e na definição de doses hormonais.
Para a FIV, especialistas destacam que a IA não substitui o médico, mas atua como apoio técnico na avaliação de imagens e dados. A adoção pode encurtar o percurso até a gravidez, desde que aliada à experiência clínica.
Impacto da IA na FIV
A Future Fertility, empresa canadense, afirma presença em 58 clínicas no Brasil; a FertGroup, com 15 unidades, diz que a IA está em todas as suas unidades. A SBRA não tem dados consolidados sobre uso nacional.
Sem IA, embriologistas trabalham pela avaliação “a olho nu”, o que pode levar a interpretações diferentes. Com IA, modelos matemáticos comparam milhares de embriões para estimar o potencial de implantação e gravidez.
O custo adicional da IA fica entre R$ 1.500 e R$ 2.000 por ciclo. Um ciclo de reprodução assistida pode custar entre R$ 15 mil e R$ 45 mil, dependendo do local e da medicação.
Custos, evidências e perspectivas
Planos de saúde não cobrem reprodução assistida, pois o procedimento não está no rol da ANS. Em casos de câncer, a reprodução assistida pode ter reembolso parcial, porém muitas vezes depende de ações judiciais.
Casos práticos citam ganhos de eficiência: uma paciente relatou que, em sua segunda tentativa, a gravidez ocorreu em quatro meses com menos tentativas. Em outros relatos, o uso de Embryoscope possibilita monitoramento contínuo do desenvolvimento embrionário.
Especialistas destacam que a IA não altera o material genético nem aumenta a eficácia isoladamente. O benefício principal é acelerar a identificação de embriões com maior probabilidade de gravidez.
Em entrevista, médicos afirmam que a decisão final continua sendo clínica e depende do crivo do profissional. A IA funciona como instrumento de apoio, não como substituto da avaliação médica.
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