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Pensar no legado pode melhorar a saúde mental e dar sentido à vida, reunindo motivação e ações significativas já na juventude

Getty Images/BBC/Serenity Strull A collage against a yellow background shows the head of an older man with a beard and glasses on a platform surrounded by red crown control ropes. Two arms of other people appear separately either side of him holding phones which are taking pictures (Credit: Getty Images/BBC/Serenity Strull)
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  • Pensar no legado pode melhorar a saúde mental e dar mais significado à vida, mesmo para quem é jovem.
  • O legado costuma ser visto em três categorias: biológico, material e o legado de valores (crenças, cultura e herança).
  • O legado biológico envolve, entre outras formas, a possibilidade de doação de órgãos ou do corpo para ciência.
  • O legado de valores mostra a importância de transmitir atitudes e ensinamentos, muitas vezes por meio de exemplos, estudos e relatos de vida.
  • Pesquisas indicam que pensar sobre o legado pode reduzir ansiedade em relação à morte e trazer conforto, embora não se deva transformar isso em obsissionalidade.

Para pensar no legado pode trazer benefícios à saúde mental e dar mais significado à vida, mesmo para quem é jovem. Esse tema ganha relevância à medida que estudiosos analisam como deixar uma marca afeta o bem‑estar.

Beth Hunter, associada à Bowling Green State University, destaca que a noção de legado vai muito além de bens materiais. Em suas pesquisas, ela afirma que diferentes formas de deixar uma influência perduram, mesmo sem reconhecimento explícito. Em áreas como sobrevivência a câncer, esse tema é estudado como ferramenta de coping.

Pesquisadores descrevem o legado em três categorias que se entrelaçam: biológica, material e de valores. A herança biológica envolve o que levamos em nosso corpo e genes; a material engloba riqueza e posses; a de valores diz respeito a crenças, ética e cultura que transmitimos.

A herança biológica

Entre as formas mais visíveis está a transmissão genética e a possibilidade de doar órgãos. No contexto dos Estados Unidos, milhões de pessoas são doadoras, porém apenas uma parcela morre em condições adequadas para a doação de órgãos. Em 2021, o país recebeu mais de 26 mil doações de corpos para estudo e ensino médico.

Em estudos sobre doação de corpos para ciência, a motivação principal costuma ser contribuir com a medicina, seguida de altruísmo e gratidão pela assistência recebida. Em alguns casos, pessoas veem nessa doação uma forma de dar sentido à morte.

Além de doação, pesquisas sobre pacientes que enfrentam doenças graves indicam que atividades de legado podem reduzir depressão e ansiedade, contribuindo para o processo de luto após a morte.

A herança de valores

Muitos estudos apontam que o que as pessoas mais desejam transmitir são valores e crenças, como gentileza e ajuda ao próximo. Relatos de mulheres de diferentes idades mostram que desejam deixar um exemplo moral, por meio de comportamento, religião ou memórias registradas, como autobiografias.

A prática de registrar histórias de vida pode oferecer conforto a quem está próximo, ajudando a reduzir o sofrimento durante o fim da vida e fortalecendo laços familiares.

Por que pensar no legado

Pesquisadores identificam que a reflexão sobre legado pode reduzir a ansiedade da morte e aumentar a motivação e o sentido de viver. A ideia de que a vida é uma narrativa com significado incentiva a construção de memórias e de ações que impactam futuras gerações.

Ao longo de décadas, o conceito de legado evoluiu, com a ideia de generatividade ganhando relevância para a saúde mental. Estudos indicam que quem mantém esse olhar pode manter maior sensação de propósito ao longo da vida.

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