- África CDC alertou que dez países, além da República Democrática do Congo, podem ser afetados pelo vírus ebola, incluindo Angola, Sudão do Sul, Ruanda, Quênia, Tanzânia, Etiópia, República do Congo, Burundi, República Centro-Africana e Zâmbia.
- Na RDC, o epicentro é a província de Ituri, com ao menos oitenta e dois casos confirmados e sete mortes, além de casos suspeitos e mortes em análise, segundo a Organização Mundial da Saúde.
- O surto atual é causado pela variante Bundibugyo, mais rara e menos conhecida do que cepas anteriores, o que dificulta a resposta das autoridades.
- Não há tratamento específico nem vacina comprovada para a cepa Bundibugyo; o atendimento foca no controle de sintomas e suporte vital.
- O combate enfrenta ainda desafio geopolítico: região em conflito na RDC, com deslocados e acesso difícil para equipes de saúde e de inspeção epidemiológica.
O continente africano enfrenta alerta da África CDC sobre a possibilidade de spillover para 10 países além da República Democrática do Congo (RDC). Angola, Sudão do Sul, Ruanda, Quênia, Tanzânia, Etiópia, República do Congo, Burundi, República Centro-Africana e Zâmbia estão entre as nações em risco. O epicentro atual permanece na província de Ituri, na RDC, onde já foram confirmados 82 casos e 7 mortes, segundo a OMS. Ao todo, há 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas em investigação.
Jean Kaseya, presidente da África CDC, informou que este é o 17º surto de ebola registrado no país e pode se tornar o segundo maior da história da doença.
O ebola é uma febre hemorrágica de alta letalidade, cuja transmissão é menos eficiente que de covid-19 e sarampo. O maior surto ocorreu entre 2014 e 2016, na África Ocidental, com cerca de 28.616 casos confirmados e 11.325 mortes, conforme a OMS.
1 – Variante Bundibugyo
O surto atual é causado pela variante Bundibugyo, menos conhecida que a Zaire. Essa característica dificulta a resposta e contribui para o avanço rápido de casos e óbitos. Bundibugyo foi identificada em 2007, em Uganda, e esteve ligada a surtos em 2007 e 2012.
2 – Ausência de tratamento
Até o momento, não há tratamento aprovado específico para a Bundibugyo. O manejo concentra-se no controle de sintomas, reposição de fluidos, oxigenação e suporte intensivo para ampliar as chances de sobrevivência.
3 – Dificuldade no diagnóstico
A confirmação rápida é dificultada pela disponibilidade de testes de PCR específicos para a variante Bundibugyo. A escassez de insumos atrasa o rastreamento de contatos e o isolamento de pacientes.
4 – Falta de medicamentos eficazes
Ao contrário da cepa Zaire, não existem fármacos específicos para Bundibugyo, o que complica opções de tratamento além do suporte clínico.
5 – Sem vacina comprovada
Não há vacinas aprovadas para a Bundibugyo. A OMS avalia se imunizantes usados contra outras variantes podem oferecer proteção indireta, embora a vacina para Zaire já exista apenas para outra cepa.
6 – Surto em zona de conflito
O combate à doença ocorre em área com conflitos na RDC, com deslocamentos de cerca de 250 mil pessoas e passagem de fronteira. Equipes de emergência enfrentam dificuldades de acesso devido a territórios sob controle de grupos armados e más condições das estradas.
7 – Taxa de mortalidade
A letalidade varia conforme a cepa e o acesso a atendimento. A OMS aponta 25% a 90% em surtos passados, com média em torno de 50% para Zaire. Para Bundibugyo, estima-se entre 25% e 40% nos surtos anteriores.
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