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Pacientes relatam reações graves com canetas emagrecedoras falsificadas

Pacientes adoecem após uso de canetas emagrecedoras falsificadas trazidas de fronteira, evidenciando riscos de manipulação sem controle sanitário

Ivete teve alergia similar a manchas causadas por sarampo devido ao uso de tirzepatida falsificada — Foto: Freepik
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  • Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai, tornou-se o principal ponto de entrada de canetas emagrecedoras ilegais no Brasil, vendidas por atravessadores.
  • A Anvisa restringe a importação e permite apenas cinco medicamentos para comercialização no país: Mounjaro, Turzemax, Veltrane, ZPHC e Thera Biolabs.
  • Brasileiros têm usado canetas trazidas do Paraguai sem controle sanitário, muitas sem receita, rótulo ou lote identificável.
  • Especialistas dizem que as canetas clandestinas costumam ter baixa pureza, ausência de esterilidade, insumos desconhecidos e, às vezes, incluem substâncias não autorizadas.
  • Casos de pacientes, como a aposentada Ivete de Freitas e o chef Paulo Marin, evidenciam reações graves, como erupções, náuseas, vômitos, tonturas e risco de infecção ou complicações cardíacas.

O repasse de canetas emagrecedoras ilegais ganhou destaque após relatos de pacientes que adoeceram com tirzepatida irregular. Foz do Iguaçu, fronteira com o Paraguai, é apontada como principal ponto de entrada dessas substâncias no Brasil. A prática envolve atravessadores, clínicas informais e medicamentos sem controle sanitário.

O tema envolve pessoas físicas, médicos e um mercado paralelo. O caso mais grave envolve voluntários que buscaram emagrecimento rápido sem orientação adequada, enfrentando efeitos adversos severos. A Anvisa restringe a importação de emagrecedores ao Brasil, com apenas cinco medicamentos autorizados.

A Anvisa lista apenas cinco itens autorizados no mercado brasileiro: Mounjaro, Turzemax, Veltrane, ZPHC e Thera Biolabs. Mesmo assim, muitos recorrem a canetas trazidas do Paraguai por vias não regulamentares.

Paulo Marin, chef de cozinha de 50 anos, relata duas experiências ruins com tirzepatida falsificada. Ele pagava por sessões semanais em consultório improvisado, sem ampolas, lote ou receita, com efeitos como náuseas, tontura e hematomas.

Outra paciente, Ivete de Freitas, 69 anos, seguiu indicação de amigas para adquirir a droga a preço menor. O frasco chegou sem rótulo comercial; após a aplicação, surgiram placas vermelhas generalizadas e mal-estar, com sintomas que se agravaram em dias.

Especialistas destacam que as canetas vendidas fora da rede regulada costumam apresentar baixa pureza, esterilidade ausente e origem desconhecida. Em ensaios independentes, frascos de tirzepatida irregular apresentaram purezas entre 7% e 14%, bem abaixo do esperado.

O risco envolve ainda possíveis infecções, reações neurológicas e cardiovasculares. A ausência de cadeia de custódia e de prescrição individual aumenta a chance de dosagens inadequadas e contaminação por substâncias não declaradas.

A fronteira entre manipulação legal e ilegal é destacada: manipulações autorizadas exigem pureza, rastreabilidade, ambiente estéril e frascos de uso individual. Preparações irregulares ocorrem quando esses critérios não são atendidos.

O quadro clínico aponta para danos graves quando o produto não atende aos padrões. Médicos explicam que a molécula demanda alta pureza e controle, sob risco de efeitos adversos prolongados ou graves, como desidratação, infecções e disfunções metabólicas.

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