Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Profissionais de saúde vencem desafios para vacinação em área indígena

Vacinação itinerante em 11 aldeias de povos indígenas enfrenta desafios logísticos, respeito às culturas locais e conservação de vacinas para alcançar comunidades remotas

Curso de vacinação em áreas indígenas. Foto: Kislane de Araújo Dias/Arquivo Pessoal
0:00
Carregando...
0:00
  • O DSEI Alto Rio Purus atende 11 mil pessoas em 155 aldeias indígenas, com diversidade de etnias e idiomas, em atendimento descentralizado que respeita tradições locais.
  • A vacinação é itinerante: equipes saem de um polo base para as comunidades, enfrentando deslocamentos por barco, quadriciclo ou helicóptero, e podem permanecer até 40 dias no território.
  • Frascos de vacina são mantidos entre 2º e 8º Celsius com freezer em barcos, caixas térmicas e bobinas de gelo; o planejamento é guiado pelo censo vacinal para definir doses e rotas.
  • A capacitação é realizada pela MSD, incluindo quatro vacinas ao Programa Nacional de Imunizações: HPV, Hepatite A, Varicela e Pneumo-23, com ênfase em comunicação e práticas adaptadas ao cenário indígena.
  • Em 2024 houve resposta rápida a um surto de influenza durante uma estiagem na região, com vacinação antecipada e logística aérea para proteger comunidades vulneráveis.

Na área atendida pelo DSEI Alto Rio Purus, unidade descentralizada do SUS, vivem 11 mil pessoas de povos indígenas como Apurinã, Jamamadi, Jaminawa, Kaxarari, Kaxinawá / Huni Kuin, Madiha / Kulina e Manchineri. São 155 aldeias, com comunidades entre 30 e 300 habitantes, onde a comunicação ocorre em três troncos linguísticos e no português.

A vacinação enfrenta desafios logísticos e culturais. O acesso às aldeias varia conforme a via de transporte: camionete, barco, quadriciclo, canoas, botes ou helicóptero, dependendo das condições climáticas. O atendimento é descentralizado, respeitando crenças e práticas de cada etnia.

Desafios da organização

Evangelista Apurinã, coordenador do DSEI, destaca que não é possível impor ritmo de vacinação aos Madijá e Kulina, exigindo negociação. A logística envolve visitas a locais centrais na aldeia ou atendimento casa a casa, com busca ativa de faltosos. Grupos Jamamadi organizam-se por clãs, o que pode influenciar acordos com líderes.

A coordenadora enfatiza que compreender a estrutura social de cada povo é essencial para evitar falhas na implementação da vacinação, uma das principais estratégias de saúde pública.

Logística e estrutura de atendimento

Apesar das dificuldades, a atuação itinerante persiste: cada região mantém um polo base, a partir do qual as equipes percorrerem até 40 dias em campo. A conservação das vacinas exige refrigeração entre 2°C e 8°C, com freezer em barcos, caixas térmicas e gelo para manter a qualidade.

Kislane de Araújo Dias, enfermeira responsável técnica pela imunização no DSEI, coordena o censo vacinal — uma planilha que orienta quais doses serão utilizadas em cada incursão. As equipes planejam locais de atendimento e, se necessário, vão de casa em casa para alcançar os atendidos.

Capacitação e comunicação com as comunidades

Evelin Plácido, enfermeira e facilitadora da CapacitaImune, ressalta que a vacinação em territórios indígenas requer levar as vacinas até as pessoas. O curso, realizado em Rio Branco, abordou normas técnicas, armazenamento, aplicação e descarte de frascos, além de aspectos imunológicos e efeitos adversos, para facilitar o entendimento da população.

Kislane afirma a importância de rodas de conversa para explicar que a imunização confere proteção contra doenças, enfatizando o papel das equipes de saúde na comunicação com as comunidades.

apoio institucional e experiências

A MSD oferece quatro vacinas ao PNI: HPV, Hepatite A, Varicela e Pneumo-23, fortalecendo a capacitação de profissionais que atuam em áreas isoladas. A gerente médica Aline Okuma destaca que a capacitação busca harmonizar práticas entre equipes urbanas e remotas.

O programa também envolve atualização constante do calendário vacinal, que já inclui novas vacinas para dengue e vírus respiratório sincicial. Grupos vulneráveis, como povos indígenas, permanecem com esquemas diferenciados, incluindo vacinação anual contra influenza e covid-19, independentemente da idade.

Lições de 2024

Em 2024, durante a seca que dificultou a navegação na região amazônica, houve surto de influenza em uma aldeia, com duas mortes de crianças. Houve mobilização federal e estadual para antecipar a vacinação contra influenza, com uso de vias aéreas e deslocamento de profissionais de outros polos para proteger a comunidade.

Reflexões finais

Natália Diniz, participante do curso em Rio Branco, ressalta a importância de respeitar a autonomia das famílias e o tempo de cada casa. O objetivo é oferecer oportunidades de saúde de forma respeitosa, mantendo a dignidade das comunidades durante as ações de imunização.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais