- Entre 2013 e 2025, 95,1% dos municípios brasileiros já foram atingidos por desastres ambientais, com o total de mortes no país passando de 3 mil.
- O estudo analisou 5.297 municípios e registrou 74.745 decretos de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública; aproximadamente 70% ocorreram por seca ou excesso de chuvas.
- A região Sudeste concentrou a maioria das mortes (quase metade), com grandes eventos como Brumadinho e Mariana, além de chuvas extremas em Petrópolis (2022) e no Vale do Aço (2025).
- As perdas econômicas somaram, até 2025, cerca de R$ 785,4 bilhões, com agricultura e pecuária entre os setores mais impactados; apenas 47% dos decretos tiveram registro de danos no S2iD.
- A CNM critica o S2iD como ferramenta ultrapassada, instável e limitada, defendendo a modernização para melhorar o registro de dados e a preparação e resposta a desastres.
A CNM divulgou um estudo que mostra impactos de desastres ambientais no Brasil entre 2013 e 2025. Ao todo, 95,1% dos municípios já foram atingidos pelo menos uma vez nesse período, com mais de 3 mil mortes registradas.
A pesquisa reúne dados do S2iD, do MIDR e de registros oficiais de defesas civis municipais e estaduais. O objetivo é evidenciar danos e estimular políticas públicas de prevenção, preparação e recuperação.
Foram 5.297 municípios afetados e 74.745 decretos de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública. Cerca de 70% ocorreram por seca ou excesso de chuvas, concentrando-se regionalmente em Nordeste e Sul.
Desdobramentos dos desastres
Os desastres deixaram mais de 493,8 milhões de pessoas atingidas e 6,4 milhões desabrigadas. O Nordeste registrou parte significativa dos eventos, mas a Sudeste concentra metade das mortes, com casos como Mariana (2015) e Brumadinho (2019).
A região Sul contabilizou 23,8% das mortes, com inundações históricas no Rio Grande do Sul em 2024, que resultaram em 185 óbitos. O ano de 2022 teve o maior número de mortes, cerca de 607.
Impactos econômicos
O estudo aponta prejuízos de aproximadamente R$ 785,4 bilhões entre 2013 e 2025. Agricultura e Pecuária foram os setores mais afetados, respondendo por grande parte do montante. A seca somou R$ 458,3 bilhões e o excesso de chuvas, R$ 222,9 bilhões.
Segundo a CNM, o valor real dos prejuízos é ainda maior, já que apenas 47% dos decretos tiveram registro completo de danos no S2iD. Alega-se subregistros de perdas econômicas pelos municípios.
Conclusões da CNM
A CNM ressalta fragilidade na consolidação de dados oficiais sobre desastres no Brasil. O S2iD é descrito como ultrapassado, instável e limitado, com módulos de prevenção e planos de contingência desabilitados.
A organização aponta baixa execução orçamentária da União como agravante, com apenas 32,2% dos valores autorizados efetivamente pagos. A CNM defende modernização urgente do S2iD pela União.
Reuniões e contatos
A CNN Brasil procurou o MIDR sobre as críticas ao S2iD. O espaço segue aberto para respostas.
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