- A partir de 26 de maio de 2026, a fiscalização da NR-1 passa a exigir que as empresas considerem fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO, nas suas siglas).
- A mudança envolve que, nos programas de prevenção, haja atenção a sobrecarga, assédio, pressão por resultados, falta de autonomia, conflitos e modelos de gestão que favoreçam adoecimento mental.
- Burnout é uma síndrome ligada ao estresse crônico no trabalho, com esgotamento, distanciamento mental e queda de eficácia, diferente do cansaço que melhora com descanso.
- Para as empresas, isso significa incluir riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e tratar a saúde mental como parte da gestão ocupacional, indo além de ações pontuais.
- A prevenção envolve mudanças na cultura organizacional, na liderança, na carga de trabalho e na forma de lidar com pressão, além de cuidados individuais como pausas reais, sono adequado e busca de ajuda quando necessário.
O governo federal passou a exigir, a partir de 26 de maio de 2026, que a fiscalização da NR-1 observe de forma mais rigorosa os fatores de risco psicossociais nos ambientes de trabalho. A mudança decorre da nova redação do capítulo 1.5, prevista pela Portaria MTE nº 1.419/2024 e prorrogada pela Portaria MTE nº 765/2025.
Agora, as empresas devem demostrar que seus programas de prevenção consideram sobrecarga, assédio, pressão por resultados, falta de autonomia, conflitos no trabalho e modelos de gestão que afetam a saúde mental. A implementação não é uma novidade, mas ganha tratamento formal dentro da gestão de riscos ocupacionais.
A própria definição de burnout, conforme OMS, envolve esgotamento, afastamento mental e queda de eficácia no trabalho. A diferença entre cansaço comum e burnout é que, no segundo caso, o descanso não restaura a energia. Fatores do ambiente organizacional influenciam diretamente esse quadro.
Mudanças na prática para as empresas
A inclusão dos riscos psicossociais no PGR exige identificação, avaliação e medidas de prevenção para manter a saúde mental no ambiente de trabalho. O foco não é apenas campanhas; envolve cultura organizacional, liderança, jornadas de trabalho e canais de escuta.
Carga de trabalho elevada, assédio, baixa autonomia e pressão constante aparecem entre os principais riscos. Relações abusivas, excesso de reuniões e dificuldade em desconectar também são citados como agravantes. O objetivo é evitar que o trabalho ocupe a vida além do permitido.
Distinções entre burnout, ansiedade e depressão
Burnout está ligado ao contexto ocupacional e se agrava com demandas, entrega e dificuldade de desligar. Depressão afeta várias áreas da vida; a ansiedade pode surgir em situações diversas. O diagnóstico exige avaliação profissional para cada caso, sem desconsiderar a gravidade de um quadro.
Prevenção e cuidado
Medidas de prevenção incluem respeito a horários de descanso, pausas reais, sono adequado e prática de atividades físicas. Além disso, é essencial revisar a cultura organizacional, a liderança e os limites de jornada. A empresa precisa oferecer suporte e canais de comunicação eficazes.
Quando buscar ajuda
Se o cansaço persiste, se o trabalho gera sofrimento intenso ou se surgem sintomas físicos, o acompanhamento terapêutico pode ser indicado. Em alguns casos, pode ser necessária avaliação médica. A prevenção depende tanto de ações individuais quanto de mudanças organizacionais.
Fonte: Portarias do Ministério do Trabalho e Emprego, com base na nova redação da NR-1. Conteúdo revisado com foco em informações verificáveis e neutralidade. Thais Rosa é psicóloga e psicanalista, apresentadora de programa de rádio.
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