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Natureza sustenta estratégia brasileira contra deslocamentos climáticos

Parceria entre a OIM e a Fundação Grupo Boticário aposta em manguezais e áreas verdes para reduzir deslocamentos por enchentes, secas e incêndios

Vista aérea de Santarém, cidade do Pará, encoberta por fumaça de queimadas durante a seca amazônica de 2023; crise climática, com degradação ambiental, amplia deslocamentos climáticos no Brasil.
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  • A OIM e a Fundação Grupo Boticário lançam parceria para usar Soluções Baseadas na Natureza (SBN) para reduzir deslocamentos causados por eventos climáticos no Brasil.
  • A iniciativa prevê nota técnica para gestores municipais com orientações de adaptação baseada em ecossistemas e ações como manguezais, áreas verdes urbanas e recuperação de matas ciliares.
  • Dados apontam mais de 10 milhões de deslocamentos internos nos últimos 25 anos; em 2024, enchentes, seca e incêndios somaram mais de 800 mil novos deslocamentos relacionados à crise climática.
  • Manguezais conservados podem reduzir a energia das ondas em até 67% a cada 100 metros, segundo a Fundação Grupo Boticário, que também reforça a importância de mais áreas verdes e manejo de encostas.
  • A plataforma Natureza ON e um curso gratuito sobre adaptação baseada em ecossistemas visam ampliar o acesso de municípios a ferramentas e redes de apoio técnico para enfrentar riscos climáticos.

A parceria entre a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Fundação Grupo Boticário aposta em soluções baseadas na natureza para reduzir deslocamentos causados por eventos climáticos. O foco é apoiar municípios brasileiros na adoção de estratégias de adaptação baseadas em ecossistemas.

Dados do Atlas Digital de Desastres no Brasil indicam que, nos últimos 25 anos, mais de 10 milhões de deslocamentos internos ocorreram após episódios extremos. Em 2024, enchentes, seca e incêndios deslocaram mais de 800 mil pessoas.

A iniciativa prevê publicar uma nota técnica para gestores municipais com orientações de planejamento urbano voltadas à adaptação por meio de ecossistemas. O objetivo é reduzir impactos de enchentes, ilhas de calor, deslizamentos e erosão costeira.

Manguezais, áreas verdes e restauração de matas ciliares aparecem entre as ações previstas. A ideia é fortalecer a resiliência de comunidades vulneráveis diante de desastres climáticos.

Segundo a Fundação Grupo Boticário, manguezais bem conservados atuam como barreiras naturais contra eventos extremos. Em cada 100 metros preservados, a energia das ondas pode cair até 67%.

Dados da plataforma AdaptaBrasil, de 2024, revelam que 66% das cidades possuem baixa capacidade de adaptação a eventos climáticos. A parceria busca ampliar o acesso a instrumentos e redes de apoio técnico.

A ação também prevê capacitar gestores com o curso gratuito Adaptação baseada em Ecossistemas em Instrumentos de Política Pública Municipal, em parceria com a FGV, GIZ e o Ministério do Meio Ambiente.

Outra ferramenta é a plataforma Natureza ON, criada pela Fundação Grupo Boticário com MapBiomas e Google Cloud. Ela mapeia áreas de risco e sugere soluções ambientais para vulnerabilidades específicas.

O estudo e a formação visam tornar políticas públicas mais integradas, fortalecendo a resiliência comunitária frente aos riscos da mudança climática e aos deslocamentos associados.

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