- O projeto Ca’Marcanda, em Bolgheri, começou em 1996 sob a visão de Angelo Gaja, expandindo o portfólio da família para a Toscana costeira.
- Gaia Gaja comenta que o pai poderia ter “traído Nebbiolo com Cabernet”, símbolo da liberdade estética de Bolgheri.
- Acompanhando a expansão, a família atua hoje em três regiões italianas: Piemonte, Toscana e Sicília, com foco em vinhos icônicos da região.
- O destaque Ca’Marcanda abrange quatro rótulos principais: Promis, Magari, Camarcanda e o branco Vistamare, com Cabernet Sauvignon predominante (segundo a vinha) e presença de Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Syrah e Sangiovese.
- Em resposta ao clima, a Ca’Marcanda investe em pesquisa (com a Universidade de Pisa) e práticas de biodiversidade, incluindo “smart bugs” e manejo do solo, além de mudanças na orientação de plantio para favorecer frescor.
A celebração de Ca’Marcanda revisita a trajetória de Angelo Gaja, rei do Barbaresco, ao ampliar seu repertório com vinhos de Bolgheri. O garçom de uma degustação especial percorre vintages de 2000 a 2023, destacando a expansão para a Toscana litorânea.
O projeto Ca’Marcanda nasceu em 1996, liderado pela visão de Angelo Gaja. Gaia Gaja brinca que o pai poderia ter “trocado Nebbiolo por Cabernet”, mas a flexibilização estética abriu liberdade na nova Itália.
A experiência ocorre em Bolgheri, região litorânea da Toscana, onde a família já se envolve desde os anos 2000, após nomes-chave do movimento Super Tuscan. Hoje, três irmãos decidem semanalmente com o enólogo.
Ca’Marcanda tem 120 hectares com quatro rótulos, sendo Camarcanda o grande destaque. As uvas passam por cabernet sauvignon, cabernet franc, merlot, petit verdot, syrah e sangiovese.
Ca’Marcanda: estilo e terroir
A vinícola trabalha com solos variados, da areia à argila, com influência das Colinas Metalliféricas. Estudos recentes apontam cerca de 27 tipos de solo na área, prometendo surpresas futuras para Bolgheri.
O vinho emblemático Camarcanda é hoje uma espinha dorsal da casa, resultante de parcelas selecionadas e maior presença de cabernet sauvignon, com cabernet franc na complementação.
Gaia ressalta a importância de reconhecer a “italianidade” na produção, valorizando a pureza de fruta, do terroiro e a qualidade dos ingredientes na cozinha e na adega.
Inovação e clima
Desde o começo, Angelo colaborou com acadêmicos e especialistas para antecipar mudanças climáticas. A Ca’Marcanda participa de estudos com o professor Andrea Lucchi, da Universidade de Pisa, sobre comportamento de insetos.
O projeto desenvolve práticas para biodiversidade e solos saudáveis, incluindo agroflorestas, adubos orgânicos e coberturas vegetais. Há também mudança de porta-enxertia e manejo de plantas.
Mesmo com vintages desafiadoras, Gaia vê nesses períodos uma chance de manter a “excelência na consistência” ao longo de décadas, ajustando processos na vinha e na adega.
A organização tem adotado mudanças na viticultura, com plantio de vinhas mais frescas, técnicas de manejo de raízes e estratégias de mistura de uvas para equilibrar safras incertas.
Entre na conversa da comunidade