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Petit Manseng na Virgínia pode tornar-se a nova uva símbolo do estado

Petit Manseng pode tornar-se a assinatura da Virgínia, por resistência à umidade, acidez estável e inovações como o barril de lees perpétuo

Petit Manseng grapes
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  • Petit Manseng, com cascas grossas e resistência a podridão, é bem adequado ao clima úmido da Virgínia e pode ser a carta de apresentação do estado.
  • A Early Mountain Vineyards desenvolveu um método conhecido como “perpetual lees stirring” e mantém o barril de leveduras usado há anos para dar mais profundidade aos vinhos, com nove safras no barril até 2026.
  • A presença da uva na Virgínia começou em 1987, na Virginia Tech, com Tony Wolf; em 1989, Dennis Horton plantou a variedade, que ganhou força rápida no estado.
  • Atualmente, mais de 179 acres (72 hectares) de Petit Manseng estão plantados na Virgínia, tornando-se a segunda uva branca mais cultivada e uma das mais presentes entre vinícolas locais.
  • Em competições recentes, a produção de Petit Manseng da Virgínia conquistou medalhas no Governor’s Cup, fortalecendo a ideia de a uva ser a expressão característica da região.

Petit Manseng em Virginia: por que a uva pode ser a nova assinatura do estado

Petit Manseng, com cascas grossas e resistência a rot e doenças, mostra-se adaptável ao clima úmido da Virgínia. A vinícola Early Mountain vê nela um cartão de visitas para a região, marcado pela experimentação e pela busca de expressão própria.

Em 2021, durante a colheita em Early Mountain, a equipe mostrou uma prática inédita: a fermentação com leveduras depositadas em um barril específico, chamado de barril de borras perpétuas. A ideia ampliou a complexidade de vinhos jovens, mantendo acidez natural da uva.

A inovação ficou a cargo da maître de vinhos Maya Hood White, hoje responsável técnica, e do empresário Jon Ruel, presidente da vinícola. O método já soma nove safras guardadas no barril desde 2017 e deve seguir ativo, segundo os dirigentes.

Início da trajetória na Virgínia

A presença de Petit Manseng na Virgínia começou com Tony Wolf, da Virginia Tech, em 1987. Dois anos depois, Dennis Horton plantou a variedade na Horton Vineyards, que logo colheu sucesso. A técnica de secagem e a expressão seca foram influenciadas por Michael Shaps, outro marco da região.

Horton chegou a vencer o Governor’s Cup em 2019 com seu Petit Manseng, uma conquista rara para vinhos brancos. A partir daí, aп indústria passou a reconhecer a uva como solução viável para o clima úmido da região, favorecida pela resistência à água e pela manutenção da acidez.

A consolidação da uva na região

Hoje, mais de 179 acres de Petit Manseng estão plantados na Virgínia, tornando-se a segunda uva branca mais plantada do estado e um dos destaques no cenário mundial. Mais de 60 vinícolas — cerca de 20% do total no estado — disponibilizam a variedade.

OGovernor’s Cup recente premiou 34 garrafas de Petit Manseng com medalhas, reforçando a reputação da uva. Em paralelo, vinícolas novas adotaram a variedade, como Woodbrook Farm Vineyards, que plantou as primeiras vinhas em 2022 e foi reconhecida pelo Governor’s Cup com o espécime de 2024 Petit Manseng.

O papel da uva como identidade de Virginia

O beijo de Early Mountain para a expressão da uva consolidou-a como símbolo de Virginia. A equipe aponta que a combinação de cascas mais largas, maior resistência à doença e a capacidade de manter acidez em noites quentes torna o Petit Manseng particularmente adequado ao clima regional.

Shaps, pioneiro na área, aponta que a uva passou de um off-dry para dry, com contribuições de diferentes produtores para o estilo atual. A circulação de ideias entre vinícolas tem ajudado a moldar a identidade de Virginia no mercado.

O que vem pela frente

O movimento segue valorizando a experiência de consumo, com salas de degustação como veículos centrais de venda, independente do tipo de uva. Novos projetos de cultivo surgem, mantendo o foco na diversidade e na qualidade de expressão do Petit Manseng.

As vinícolas continuam ampliando o plantio e a produção, mantendo o espírito de inovação que caracteriza o setor. A ideia é que o Petit Manseng permaneça não apenas como curiosidade, mas como parte essencial da viticultura da Virgínia.

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