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Pobreza de refrigeração aumenta risco do calor extremo para milhões

Pobreza sistêmica de refrigeração atinge 600 milhões em 28 países, expondo favelas ao calor extremo e desafiando energia, água e saúde pública

O Vidigal é uma favela junto a um dos bairros mais caros do Rio de Janeiro, mas seus moradores sofrem muito mais com o calor do que seus vizinhos, com seus telhados de metal, sem áreas verdes e falta de infraestrutura. SIALABE/Shutterstock
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  • Estudo aponta que, entre 3 bilhões de pessoas, quase 600 milhões enfrentam pobreza sistêmica de refrigeração em 28 países, com maior peso no sul da Ásia e na África Subsaariana.
  • O calor extremo atinge mais quem mora em áreas pobres, com menos acesso a ar-condicionado, sombra, água potável e isolamento térmico em casa e em espaços públicos.
  • Mesmo países com calor semelhante apresentam resultados diferentes: Indonésia tem menor pobreza térmica que Bangladesh, graças a infraestrutura física e serviços de saúde mais robustos.
  • O uso de ar-condicionado não é solução simples: é caro, aumenta contas de energia e pode sobrecarregar redes elétricas, além de ter impactos ambientais e de equidade.
  • Soluções exigem ações conjuntas de planejamento urbano, saúde pública, habitação e regulamentação trabalhista, incluindo acesso à água, árvores, infraestrutura e combate à discriminação, com participação das comunidades mais afetadas.

O que é a pobreza de refrigeração? Um estudo global mostra que o calor extremo é mais perigoso para milhões de pessoas por conta de falhas estruturais na infraestrutura, serviços e redes de apoio. A pesquisa envolve 28 países, com foco em regiões em desenvolvimento.

Entre 3 bilhões de pessoas analisadas, quase 600 milhões enfrentam pobreza sistêmica de refrigeração severa. Os maiores fardos são no sul da Ásia e na África Subsaariana, onde a exposição é mais intensa. A comparação entre países revela variações significativas.

No caso da Indonésia e de Bangladesh, a exposição ao calor úmido é alta, mas infraestrutura de saúde e serviços públicos mais robustos reduzem a pobreza de refrigeração de forma relativa. A diferença está no entorno físico e social de cada região.

Em áreas urbanas, a vulnerabilidade depende de edifícios, ruas, espaços verdes e redes de água potável. Moradores de bairros pobres costumam ter menos ar-condicionado, menos sombra e moradias com menos isolamento térmico.

A pesquisa aponta que o ar-condicionado não é solução simples. O acesso é desigual e o uso eleva contas de energia e demanda sobre as redes elétricas, agravando impactos ambientais e custos para famílias.

Além do lar, o calor afeta escolas, locais de trabalho e serviços de saúde. A disponibilidade de água potável, ventilação de ambientes e proteção pública influenciam a sobrevivência diária diante de temperaturas extremas.

O estudo enfatiza que a resposta não é apenas tecnológica. A pobreza de refrigeração está ligada a decisões de planejamento urbano, habitação e leis trabalhistas, que moldam quem suporta o calor. As medidas devem ser integradas e justas.

Justiça térmica

A ideia de justiça térmica envolve reduzir a exposição ao calor de forma equitativa. A análise questiona quem projetou as condições e quem pode mudá-las, apontando a necessidade de ações coordenadas entre planejamento urbano, saúde pública, habitação e regulamentação trabalhista.

Soluções viáveis incluem ampliar o acesso à água potável, reformar edifícios, ampliar áreas verdes e reduzir discriminações. A participação das comunidades mais impactadas nas soluções é destacada como essencial para resultados efetivos.

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