- O exame de ressonância magnética de corpo inteiro é promovido como detecção precoce e tranquilidade, mas especialistas de Harvard alertam para armadilhas e mais incertezas do que conforto.
- O marketing aponta benefícios rápidos, mas o estudo no Journal of the American Medical Association cita que já houve mais de cem mil pessoas nos Estados Unidos que fizeram esse tipo de exame.
- A ressonância de corpo inteiro não substitui exames validados como mamografia ou colonoscopia e não tem a mesma precisão de exames segmentados com contraste.
- Achados incidentais costumam levar a exames adicionais, consultas com especialistas e procedimentos desnecessários, gerando ansiedade e custos elevados.
- A recomendação é priorizar rastreamentos com base em evidências e manter acompanhamento com médico de confiança; há exceção rara para pessoas com genes de alto risco, mas, em geral, não se recomenda o uso generalizado.
O exame de ressonância magnética de corpo inteiro vem sendo promovido como uma ferramenta de detecção precoce e tranquilidade, mas um médico especialista em Harvard aponta armadilhas importantes. Segundo James Brink, chefe da radiologia do Massachusetts General Hospital, o marketing supera a evidência clínica.
Exames pagos do próprio bolso são caros e podem gerar mais incertezas do que certezas. A ressonância de corpo inteiro não substitui testes validados como mamografia ou colonoscopia e não detecta todos os tipos de câncer, ressalta Brink. A ideia de rastrear várias condições sem rigor científico traz riscos.
Falta de precisão
A técnica usa um ímã e ondas de rádio para imagens que vão da cabeça aos pés. Ela pode revelar aneurismas, tumores ou anomalias, porém não é desenhada para avaliar de forma detalhada um órgão específico, enfatiza Brink. Diferentemente, exames clínicos costumam usar subexames com contraste para detalhamento.
Os perigos do sobrediagnóstico
Muitas descobertas são incidentalomas sem relevância clínica real. Ainda assim, geram exames adicionais, consultas e procedimentos invasivos, aumentando custos e ansiedade. Um resultado limpo não elimina a necessidade de exames respaldados por evidência.
Estratégias mais inteligentes
Exames de imagem não indicados podem criar mais problemas do que benefícios. Brink defende rastreamentos baseados em evidência, como mamografia e colonoscopia, sob orientação de profissionais de saúde. A relação contínua com um médico de atenção primária é indicada para investigar sintomas.
Quem busca esse exame
Entre os interessados, destacam-se os chamados “worried well” — pessoas saudáveis em busca de garantias. O especialista alerta que há exceções, principalmente para indivíduos com genes de alto risco para múltiplos tipos de câncer, mas recomenda personalizar o rastreamento com orientação profissional.
Conclusão prática
Para a maioria, seguir planos de rastreamento comprovados e manter contato médico regular é a abordagem mais segura. A ressonância de corpo inteiro tem utilidade limitada e pode levar a intervenções desnecessárias quando usada sem indicação clínica.
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