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Surto de sarampo em Bangladesh deixa mais de 500 crianças mortas

Surto de sarampo em Bangladesh já matou 512 crianças; 18 milhões foram vacinadas, mas lacunas de imunização persistem

Um homem segura uma criança infectada com sarampo que recebe tratamento no Hospital DNCC, após um surto da doença em todo o país, em Daca, Bangladesh, 6 de maio de 2026. REUTERS/Mohammad Ponir Hossain
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  • Surto de sarampo em Bangladesh já matou 512 crianças, com 13 óbitos nas últimas 24 horas.
  • A maioria das vítimas tem entre seis meses e cinco anos; o país enfrenta hospitalização em escala alta.
  • Até 20 de maio foram 57.856 casos suspeitos e 8.067 confirmados em 64 distritos, com 81% das ocorrências em menores de cinco anos.
  • A campanha nacional de vacinação contra sarampo e rubéola já vacinou mais de 18 milhões de crianças, superando a meta inicial em 102% e com extensão prevista por mais um mês.
  • UNICEF aponta que lacunas na imunização se agravaram após a crise de 2024; hospitais de Daca estão sobrecarregados, e há necessidade de ampliar a cobertura em áreas de difícil acesso.

O surto de sarampo em Bangladesh já deixou mais de 500 crianças mortas, com 512 óbitos registrados pelo departamento de saúde desde 15 de março. No último sábado, 13 novas mortes foram computadas, elevando o total nacional. As informações apontam que a maior parte dos casos ocorre entre seis meses e cinco anos.

Hospitais de Daca, a capital, relatam sobrecarga de atendimentos. Alas dedicadas foram criadas, mas a demanda supera a disponibilidade de leitos de terapia intensiva. O governo lançou uma campanha de vacinação em massa para conter o surto no país de 175 milhões de habitantes.

A UNICEF informou que a campanha já alcançou 18 milhões de crianças. Lacunas de imunização se agravaram após a instabilidade política de 2024, que derrubou o governo e deixou muitas crianças sem proteção.

Médicos indicam que muitas crianças chegam a estado crítico. Um pediatra de Dhaka afirmou que, apesar da alta contagiosidade, bebês saudáveis podem ter evolução mais simples com tratamento adequado; porém, a maioria chega com dificuldades respiratórias e infecções associadas.

Até 20 de maio, Bangladesh registrou 57.856 casos suspeitos e 8.067 confirmados em 64 distritos. Cerca de 81% dos casos atingem crianças com menos de cinco anos. A taxa de transmissão segue alta em várias regiões.

Mais de 18 milhões de crianças foram vacinadas na campanha SR (sarampo e rubéola), com cobertura de 102% segundo dados oficiais. O governo planeja estender a vacinação por mais um mês, especialmente em áreas de difícil acesso.

Sarampo no Brasil

No Brasil, casos isolados foram observados nos últimos anos, graças à vacinação iniciada aos 12 meses de vida. Em 2016, o país recebeu certificado de eliminação local do sarampo, mantendo o status até hoje.

Entre 2018 e 2020, houve aumento de casos: 10.346 em 2018 e 8.448 em 2020, com 10 óbitos. Em 2023 não houve casos confirmados, e em 2024 surgiram cinco casos, principalmente importados ou ligados a viagens.

Em 2025, foram 38 casos distribuídos por estados, parte relacionada a viagens internacionais ou a vacinação incompleta. Em 2026, até a semana 14, foram dois casos: um em São Paulo, ligado a viagem e falta de vacinação, outro no Rio de Janeiro, com fonte de infecção desconhecida.

Em novembro de 2024, o Brasil manteve a recertificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo pela OMS/OPAS. O sarampo continua sendo uma doença infecciosa altamente contagiosa, com transmissão direta entre pessoas.

Como o sarampo se transmite e quais são os impactos

A transmissão ocorre principalmente por tosse, espirros ou contato próximo com pessoas não imunes. O vírus também pode permanecer no ar em ambientes fechados. A imunidade é definitiva após a infecção, mas a doença pode causar pneumonia, encefalite e morte, sobretudo em crianças desnutridas ou não vacinadas.

O período de incubação varia de oito a 13 dias; a contagiosidade é maior nos dias que antecedem ao aparecimento do exantema. A apresentação clínica inclui exantema típico, febre alta, tosse, dor de cabeça, corrimento nasal e mal-estar.

Vacinação e proteção

No Brasil, a orientação envolve duas doses para quem tem menos de 30 anos e uma dose para até 40 anos, com exceções para quem tem mais de 60 anos. Em regiões com circulação do sarampo, a vacinação costuma ocorrer em três momentos: aos seis meses, aos 12 meses e aos 15 meses.

O objetivo é manter a população protegida e evitar reintroduções do vírus a partir de viagens internacionais. O Brasil continua monitorando a situação e reforçando a vigilância epidemiológica para evitar reestabelecimento da transmissão endêmica.

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