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Boom de data centers agrava mega-seca no Chile e reduz áreas alagadas

Datacentros em Quilicura consomem água em meio à megaseca, ampliando impactos ecológicos e estimulando o debate por regulação mais rígida

A Google datacentre in Quilicura, Chile. The company openeded this, its first and largest server room in Latin America, in 2015.
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  • O entorno de Quilicura, uma das maiores áreas alagadas de Chile (cerca de 468 hectares), está secando devido ao выт das centrais de dados, segundo ativistas e moradores.
  • São trinta e três datacentres já em operação na região, com mais trinta e quatro projetos previstos; especialistas alertam que o uso de água é alto e que soluções sustentáveis são necessárias.
  • As maiores operadoras consomem cerca de 1,5 bilhão de litros de água por ano; o Google, por exemplo, tem direitos para retirar até cinquenta litros por segundo, volume que equivaleria ao consumo de milhares de casas.
  • Além do uso de água, há preocupações com o consumo de energia: datacentres concentrados podem Demandar grande parte da eletricidade local, já que a região central depende de fontes renováveis, mas ainda utiliza geradores a partir de combustíveis fósseis.
  • Em 2024, planos para um segundo datacenter do Google em Cerrillos foram suspensos após questionamentos sobre impactos da crise hídrica; autoridades ambientais pediram estudos adicionais, enquanto a indústria segue sob pressão por regulações mais rígidas.

O Quilicura wetland, um dos maiores pantanais de Chile, está secando, registando redução de água na região metropolitana de Santiago. A área, que chega a 468,4 hectares, abriga o maior conjunto de datacentros da América Latina e está sob monitoramento de ambientalistas desde 2019.

Estudos apontam que datacenters na região consomem bilhões de litros de água por ano para resfriamento. Quase toda a água utilizada vem de fontes locais, com números que variam conforme a planta e o sistema de resfriamento adotado.

A expansão de centros de dados em Quilicura começou em 2015, com a instalação do primeiro data center do Google na área. Hoje atuam lá empresas como Google, Microsoft, Sonda e Ascenty, entre outras, com planos adicionais de infraestrutura.

Ontem estimativas indicam que os quatro maiores centros — Google, Microsoft, Sonda e Ascenty — consumem água em escala anual da casa dos bilhões de litros. Em 2024, o datacenter de Quilicura do Google utilizou cerca de 461 milhões de litros, segundo relatório ambiental da empresa.

Até o momento, 33 datacenters já operam na região, com 34 novos projetos em planejamento. Especialistas sugerem estratégias como realocação para o sul do Chile para equilibrar crescimento tecnológico e limites ecológicos.

Regulação e impactos ambientais

Especialistas alertam que a alta demanda de água dos datacenters pode agravar a seca severa que persiste no país há mais de uma década. Embora a maior parte da energia venha de fontes renováveis, a demanda por água de resfriamento permanece elevada e não é possível rastrear com exatidão a origem de toda a eletricidade consumida.

Ascenty e Microsoft afirmam que utilizam sistemas de resfriamento a ar com menor uso de água, além de projetos de restauração de água na bacia do Maipo. No entanto, autoridades e comunidades destacam a necessidade de regras mais rígidas para o setor.

Em Cerrillos, distrito vizinho, um projeto de datacenter da Google foi interrompido em 2024 após avaliação ambiental. A decisão levou em conta impactos da crise climática e exigiu estudos adicionais sobre uso de água, com a empresa aceitando revisar o sistema de resfriamento.

O debate sobre o tema ocorre em meio a um pano de fundo político com a aguardada posição do governo de direita, que sinalizou menos regulamentação ambiental. Autoridades locais e ativistas defendem padrões mais firmes para evitar impactos sobre recursos hídricos.

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