- A EPA sinalizou a retirada de limites de PFAS na água potável criados no governo Biden e atrasou a implementação de mais dois, segundo a agência.
- O evento de imprensa foi apresentado como “destruição de PFAS”, mas não há tecnologia comprovadamente capaz de destruir esses químicos em larga escala.
- Críticos dizem que a abordagem é similar à captura de carbono: promessa de ação, mas com incertezas técnicas e possível benefício à indústria.
- PFAS são um grupo de mais de 16 mil compostos persistentes, ligados a câncer, defeitos de nascimento e outras doenças; aparecem em água, fauna e solo.
- Especialistas apontam custos altos e eficácia duvidosa das tecnologias atuais, defendendo que regulações continuam necessárias para proteção da saúde pública.
O governo de Donald Trump anunciou uma mudança de rumo na regulação de PFAS, visando abandonar limites fortes de potabilidade criados durante a gestão Biden e adiar a implementação de mais regras. A imprensa chamou o movimento de tentativa de destruir os chamados químicos eternos em larga escala.
Advogados, cientistas e defensores da saúde pública argumentam que a nova proposta beneficia a indústria e pode colocar em risco a saúde coletiva. Eles afirmam que não existe uma tecnologia capaz de destruir PFAS de forma abrangente e confiável em escala industrial, o que torna a estratégia inadequada para enfrentar o problema.
O anúncio ocorreu após a Organização Ambiental anunciar a intenção de eliminar limites de PFAS em água potável e postergar a adoção de novos padrões para quatro composto. A medida é apresentada pelo governo como parte de uma aposta em tecnologias de destruição, com discussão sobre investimentos do governo em esforços industriais de proteção à saúde.
Destruição de PFAS não é solução
Críticos destacam que tecnologias atuais, como incineração e oxidação térmica, costumam deixar subprodutos perigosos que a regulamentação nem sempre capta. Pesquisas apontam que subprodutos podem permanecer tão nocivos quanto o composto original, mas a detecção é limitada.
Especialistas lembram ainda que químicos PFAS, em milhares de variantes, contaminam água, solo e alimentos em diversas situações. Observam que as evidências indicam persistência ambiental por milhares de anos, o que reforça a necessidade de reduzir a produção e a emissão, não apenas destruir o material.
Representantes de organizações ambientais ressaltam custos elevados da destruição de PFAS, com números que variam bastante conforme a tecnologia e o tipo de resíduo. Eles destacam que os recursos financeiros públicos costumam cobrir grande parte do custo, favorecendo o setor de gestão de resíduos.
Politicamente, a ofensiva de destruição é comparada a estratégias de captura de carbono, que ainda não substituem medidas de redução de poluição. Entre críticas, destacam-se preocupações sobre transparência e conflitos de interesse quando a indústria participa de projetos de destruição.
Autoras e autores das críticas destacam que a prioridade continua sendo reduzir a produção de PFAS e impedir a contaminação. Pesquisadores defendem que o caminho mais efetivo envolve normas robustas, fiscalização e apoio a pesquisas independentes sobre soluções seguras.
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