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Primeiras evidências de oceano subterrâneo colossal sob a crosta terrestre

Evidência física aponta oceano de água presa em minerais do manto a mais de seiscentos quilômetros de profundidade, redefinindo o ciclo hídrico da Terra

Diamante brasileiro revela inclusão azulada de ringwoodita
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  • Em 2014, diamante brasileiro com inclusão de ringwoodita revelou água presa em 1,5% em peso, indicando água na zona de transição do manto (410–660 km de profundidade).
  • A água não forma oceano líquido; está ligada quimicamente como íons hidroxila (OH⁻) dentro de cristais sob altas pressões.
  • A ringwoodita, mineral de olivina estável nessa região, funciona como uma “esponja” que guarda hidrogênio e oxigênio sem água líquida circulando entre rochas.
  • Dados de sismômetros apontam desaceleração de ondas em rochas hidratadas na faixa da zona de transição, sugerindo um reservatório que poderia chegar a cerca de três vezes o volume dos oceanos da superfície.
  • Achados adicionais, como diamante de Botsuana com ringwoodita, indicam água em profundidades ainda maiores, o que pode impactar o entendimento do ciclo da água, das placas tectônicas e da formação de magma.

O que foi descoberto? Cientistas encontraram evidências de um oceano colossal fora da superfície, armazenado não como água líquida, mas presa em rocha sob a crosta. A área fica a mais de 600 quilômetros de profundidade, no interior da Terra.

Quem participou da descoberta? A evidência física inicial veio do diamante brasileiro com inclusão de ringwoodita, analisada por Graham Pearson, da Universidade de Alberta, em 2014. Estudos subsequentes envolveram geofísicos da Northwestern University e o uso de dados de milhares de sismômetros.

Quando e onde ocorreu a evidência mais decisiva? Em 2014, o diamante vindo do Brasil revelou 1,5% de água em peso ligado ao mineral ringwoodita, sugerindo água na zona de transição entre 410 e 660 quilômetros de profundidade, sob condições extremas de pressão.

O que a ringwoodita faz? A ringwoodita, uma forma de olivina estável nessa camada, atua como uma esponja molecular, armazenando hidrogênio e oxigênio na estrutura cristalina. Agua não flui livremente; fica integrada aos minerais sob calor e alta pressão.

Quais as evidências físicas que sustentam o oceano interno? Além do diamante, dados de mais de 2.000 sismômetros da rede USArray mostraram que ondas sísmicas desaceleram ao atravessarem rochas hidratadas na faixa da zona de transição, apontando para água mantida na rocha.

Qual é a dimensão estimada desse reservatório? Estimativas indicam que, se apenas 1% do peso das rochas da zona de transição contiver água, o volume seria equivalente a quase três oceanos da superfície. O tamanho muda a leitura do ciclo da água no planeta.

Que outras evidências apoiam o cenário? Diamantes de Botsuana, em 2022, mostraram ringwoodita associada a bridgmanita e ferropericlásio, sugerindo água em profundidades ainda maiores que 660 quilômetros, ampliando o alcance do fenômeno.

Qual a importância da descoberta para a geologia? A ideia de água circulando apenas na superfície é revisada. Parte da água terrestre pode ter origem interna, liberada por processos vulcânicos ao longo de bilhões de anos.

Como isso afeta a compreensão do planeta? O oceano interno explicaria a lubrificação de placas tectônicas, a geração de magma em zonas de subducção e a troca contínua entre superfície e manto, redefinindo o ciclo da água em escala planetária.

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