- Onze países africanos participam da Grande Muralha Verde, uma iniciativa para restaurar até cem milhões de hectares na faixa do Sahel até 2030, com uma barreira de oito mil quilômetros de extensão e quinze quilômetros de largura.
- Até o final de 2024, sessenta e seis milhões de hectares foram recuperados, equivalentes a dezoito por cento da meta; o ritmo atual não deve alcançar o objetivo no prazo.
- Entre os destaques, a Etiópia lidera com mais de quinze milhões de hectares restaurados, o Senegal começou a muralha com doze milhões de árvores e a Nigéria registrou cerca de cinco milhões de hectares recuperados.
- A região do Sahel vem enfrentando aquecimento rápido e avanço do deserto, com impactos em cinquenta milhões de pessoas e projeções de até duzentos e dezesseis milhões de deslocados climáticos até 2050 se a desertificação não for contida.
- Gabinete-se de instabilidade política em Mali, Burkina Faso e Níger, além de altas taxas de mortalidade inicial de árvores, que levaram a melhorias com espécies locais mais resistentes, e ainda sem plano oficial de substituição caso a meta de 2030 não seja atingida.
A Grande Muralha Verde é um projeto continental que busca restaurar 100 milhões de hectares de terra degradada no Sahel, área semiárida entre o deserto do Saara e a savana africana, até 2030. A barreira terá 8 mil quilômetros de extensão e 15 quilômetros de largura, usando árvores, arbustos e pastagens adaptadas ao clima árido.
Até o fim de 2024, 18 milhões de hectares haviam sido recuperados, o que representa 18% da meta. O ritmo atual, conforme monitoramento da União Africana, não parece suficiente para cumprir o prazo. Etiópia lidera, com regeneração natural gerida por agricultores.
Senegal é o ponto de partida da muralha, com 12 milhões de árvores plantadas na região de Thiès. Nigéria já recuperou 5 milhões de hectares nos estados do norte. Burkina Faso, Mali e Níger avançam menos devido à instabilidade política e conflitos no Sahel.
Progresso e números
O Sahel aquecido em torno de 1,5°C acima da média global no último século. O deserto avança entre 48 e 60 quilômetros ao sul por ano em áreas sensíveis. Cerca de 500 milhões de pessoas vivem na região, com deslocamentos crescentes por degradação do solo.
O projeto surge como resposta a esse cenário. Estudos do Banco Mundial projetam até 216 milhões de deslocados climáticos na África subsaariana até 2050, se a desertificação não for contida.
Desafios técnicos e políticos
Quatro dos onze países participantes passaram por golpes de Estado desde 2020. Mali, Burkina Faso e Níger tiveram instabilidade que suspendeu programas e expulsou ONGs responsáveis pelo reflorestamento.
Tecnicamente, as primeiras plantações registraram mortalidade de árvores acima de 80% em áreas sem monitoramento. Técnicas atuais, com espécies locais como acácia do Senegal e baobá, elevam a sobrevivência para 70% a 80%.
Perspectivas e riscos
Não há plano B oficial caso 2030 não seja alcançado. A União Africana discute estender para 2035, mas especialistas do IPCC alertam que cada atraso reduz a capacidade do solo de reter água, aumentando custos.
A Grande Muralha Verde é um dos maiores projetos de restauração ecológica já vistos. Seu sucesso depende da cooperação entre 11 países com realidades políticas distintas, ao longo de três décadas.
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