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Como espécies do oceano profundo sobrevivem à escuridão extrema

Esponjas de profundidade sobrevivem pela quimiossíntese de micróbios e pela heterotrofia, sustentando ecossistemas e a biomassa no fundo do oceano

A esponjas estudadas faziam parte de um mesmo gênero e viviam em um habitat tão escuro que a fotossíntese já não pode ser mais realizada
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  • Estudo publicado em 25 de maio na revista Microbiome investigou esponjas do gênero Calyx a 830 metros de profundidade, em ambiente sem luz.
  • Cerca de 16% dos microrganismos associados às esponjas realizam quimiossíntese, usando amônia como energia e dióxido de carbono dissolvido para produzir biomassa.
  • Os restantes 84% dos microrganismos adotam heterotrofia, consumindo matéria orgânica para gerar energia e biomassa.
  • Enzimas dos microrganismos possibilitam a quebra da matéria orgânica remanescente, beneficiando a esponja hospedeira ao fornecer nutrientes.
  • A biomassa microbiana pode sustentar outros animais no fundo do mar, mas ecossistemas dessas profundezas enfrentam ameaças humanas como mineração e pesca de arrasto.

As esponjas marinhas exploram estratégias para viver na escuridão profunda do oceano. Estudo recente mostra que microorganismos ligados a elas realizam quimiossíntese, gerando energia e biomassa sem luz solar. A pesquisa foi publicada em 25 de maio na revista Microbiome.

O que acontece envolve uma parceria entre esponjas do gênero Calyx e seus micróbios. Em profundidade de 830 metros, longe da luz, essas esponjas mantêm atividades metabólicas por meio de quimiossíntese, com amônia como fonte de energia e CO2 dissolvido na água.

Quem está envolvido? Pesquisadores da equipe PROBIO-DEEP, com participação de observações de campo e análises laboratoriais, detalham como parte dos microbióticos utilitários provêem nutrientes essenciais à esponja hospedeira.

Quando e onde ocorreu? O estudo foi divulgado em maio, com dados coletados em ambiente marinho profundo na zona crepuscular de oceanos, onde a luminosidade é baixa, mas há temperatura próxima de 0 °C.

Por que isso importa? A biomassa gerada sustenta também outros habitantes do fundo oceânico, como estrelas-do-mar e peixes, contribuindo para o ecossistema não fotossintético dessas regiões.

Estratégias complementares

A pesquisa aponta que 84% dos microrganismos dos indivíduos analisados recorrem à heterotrofia, quebrando matéria orgânica para obter energia. Esse metabolismo é viável mesmo sem fotossíntese, adaptando-se às condições extremas.

Os micróbios que participam da digestão de resíduos liberam nutrientes úteis à esponja hospedeira. Assim, a relação simbiótica não apenas favorece a sobrevivência, mas também a nutrição de toda a comunidade bentônica.

Riscos e impactos

Os autores destacam que ecossistemas de águas profundas enfrentam pressões humanas, como mineração e pesca de arrasto. A degradação desses habitats pode comprometer o ciclo do carbono e a sobrevivência de espécies dependentes.

O estudo reforça a importância de entender esses ecossistemas antes de ações que possam destruí-los. A preservação é crucial para manter a conectividade ecológica do fundo do oceano.

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