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Desmatamento no Brasil fica abaixo de 1 milhão de hectares em 2025

MapBiomas indica desmatamento de 984.794 hectares em 2025, abaixo de um milhão pela primeira vez em seis anos, com média de 2.698 ha/dia

1 de 1 Desmatamento florestas - Metrópoles - Foto: Taiyou Nomachi/Getty Images
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  • Em 2025, o desmatamento no Brasil totalizou 984.794 hectares, menor que 1 milhão pela primeira vez desde 2019, redução de 20,6% ante 2024.
  • A média diária foi de 2.698 hectares, cerca de 112 hectares por hora.
  • Cerrado foi o bioma com maior área desmatada em 2025, com 540.614 hectares; Pantanal registrou a maior redução proporcional, de 48,4%.
  • Amazônia somou 289.478 hectares desmatados em 2025, queda de 23,5% em relação a 2024.
  • Expansão agropecuária responde por mais de 97% da perda de vegetação nativa nos últimos sete anos; em 2025, 99% da área desmatada associada a garimpo ocorreu na Amazônia.

O Brasil desmatou 984.794 hectares de vegetação nativa em 2025, conforme o RAD2025 do MapBiomas. A marca significa a primeira vez abaixo de 1 milhão de hectares em seis anos, com queda de 20,6% frente a 2024. A média mensal ficou em 82 mil hectares.

Mesmo com a redução, a pressão sobre a vegetação segue alta. A perda chegou a 2.698 hectares por dia, ou aproximadamente 112 por hora, segundo o levantamento. Em tom comparativo, o MapBiomas aponta que é como desmatar 17 parques do Ibirapuera diariamente.

Desempenho por bioma

A Amazônia registrou 289.478 hectares desmatados em 2025, queda de 23,5% ante 2024. A área desmatada equivalia a cerca de 792 hectares por dia. No Cerrado, o desmatamento somou 540.614 hectares, reflexo da continuidade da pressão econômica sobre o bioma.

O Pantanal teve a maior redução proporcional, com queda de 48,4% e 12.260 hectares desmatados no ano. Mesmo com o recuo, o Cerrado continua liderando a soma de área desmatada entre os biomas do país.

Formações e padrões

Pelo terceiro ano, savânicas foram o grupo de vegetação mais afetado, respondendo por 51,4% da área total desmatada. As formações florestais ficaram com 46,3%. Na Amazônia e na Mata Atlântica, predominaram as formações florestais.

Nos biomas Cerrado, Caatinga e Pantanal houve maior impacto das savânicas, enquanto as formações florestais predominaram na Amazônia e na Mata Atlântica.

Estados e regiões

A região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Mato Grosso) concentrou mais de 63% do desmatamento entre os estados em 2025. Pará, maior área desmatada no acumulado de 2019 a 2025, registrou queda de 40% em 2025 frente a 2024.

Entre os estados com maiores reduções, Maranhão, Pará e Tocantins tiveram altas quedas superiores a 50 mil hectares. Sergipe e Alagoas reduziram mais de 60% no ano.

Expansão agropecuária e outros vetores

Mais de 97% da perda de vegetação nativa nos últimos sete anos está associada à expansão agropecuária, aponta o MapBiomas. Em 2025, esse vetor responde por 99% da área desmatada no país.

Desmatamento relacionado a garimpo concentrou-se na Amazônia, com maior incidência no Pará. Para empreendimentos de energia renovável, a maior concentração ocorreu na Caatinga (97% da área desmatada ligada a esse vetor).

Desmatamentos vinculados à expansão urbana cresceram 7% em relação a 2024, com maior concentração no Cerrado e na Amazônia. Juntos, esses dois biomas responderam por mais de 60% da área de vegetação nativa perdida ligada a áreas urbanizadas.

Municípios

Mais da metade dos 5.572 municípios brasileiros (2.932) teve ao menos um evento de desmatamento em 2025. Canto do Buriti, no Piauí, liderou o ranking de maior área desmatada pela primeira vez, com 20.877 hectares. A média diária no município foi de 57,2 hectares.

Os dez municípios com maior área desmatada concentraram 15% do total, sendo oito deles no Matopiba, que sozinha acumula 40% da perda de vegetação do Cerrado.

Áreas de proteção e terras indígenas

Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas apareceram como as áreas mais preservadas. Mesmo assim, 46.257 hectares foram desmatados dentro de UCs em 2025, queda de 21,4% frente a 2024.

As UCs de Proteção Integral tiveram queda de 55,8%, com 2.034 hectares desmatados. O Cerrado respondeu por 43,5% do desmatamento em UCs, em grande parte em APAs.

Dentro de Terras Indígenas, a perda atingiu 12.593 hectares, redução de 22% ante 2024. A Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, lidera o ranking de área desmatada pelo terceiro ano, com 4.089 hectares. Em 2025, 30% das Terras Indígenas registraram ao menos um evento de desmatamento.

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