- Allan, volante do Corinthians, ficou afastado de uma partida pela Libertadores por conta do traço falciforme, condição que pode ser influenciada pela altitude.
- O traço falciforme é uma hemoglobina com formato de foice; estima-se que entre 60 mil e 100 mil brasileiros convivam com a condição.
- Quando há evolução para doença falciforme, ocorre anemia e crises dolorosas, com impactos significativos na qualidade de vida.
- O caso reacende o debate sobre racismo estrutural no cuidado em saúde e a invisibilidade histórica da condição.
- A especialista Daniela Tafner ressalta a importância de ampliar o conhecimento sobre o tema e de proteger a saúde dos atletas e de pessoas com o traço falciforme.
Nas últimas semanas, o volante Allan, jogador do Corinthians, ganhou as manchetes não pela atuação em campo, mas pela presença do traço falciforme em seu sangue. A condição levou ao afastamento dele de uma partida pela Libertadores disputada na Colômbia, por questões de saúde relacionadas à altitude.
Especialistas destacam a importância de ampliar o conhecimento sobre o traço falciforme, que pode desencadear alterações na circulação de oxigênio. O Corinthians adotou medidas protetivas para preservar a saúde de Allan durante a viagem e a competição, diante de fatores como altitude.
A fala pública sobre o tema ainda é recente no Brasil, mas a condição envolve milhares de pessoas. Estima-se que entre 60 e 100 mil brasileiros vivam com o traço falciforme, uma alteração genética hereditária comum no país.
A condição genética pode evoluir para a doença falciforme, que compromete o transporte de oxigênio e pode causar anemia, crises dolorosas e impactos na qualidade de vida. O tema envolve, ainda, debates sobre acesso a diagnóstico e cuidado.
Historicamente associada a populações negras, a adesão de dados e tratamentos à população negra é tema de debates sobre racismo estrutural no cuidado em saúde. O caso de Allan retorna para ampliar a reflexão sobre esse cenário no futebol e na sociedade.
Daniela Tafner, doutora em enfermagem e especialista em saúde da população negra, aponta a necessidade de ampliar o entendimento sobre o traço falciforme e o impacto da negligência histórica no diagnóstico e cuidado. Tafner atua na Universidade Regional de Blumenau e no Alari, da Universidade de Harvard.
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