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Pesquisadores detectam mercúrio e chumbo em caranguejos

Pesquisadores identificam mercúrio e chumbo em caranguejos-uçá do litoral do Paraná, com necessidade de mais estudos sobre impactos à saúde humana

Caranguejo-uçá — Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil
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  • Pesquisadores do programa Rebimar identificaram a presença de mercúrio e chumbo no caranguejo-uçá na Baía de Paranaguá, litoral do Paraná.
  • Os achados foram obtidos em estudo da professora Cassiana Metri, com variação conforme local e época do ano, e não indicam uma contaminação constante.
  • O caranguejo-uçá foi considerado saudável pelas pesquisadoras, que buscam entender se os contaminantes podem ser eliminados pela carapaça ou se têm relação com a alimentação à base de folhas do mangue.
  • O Rebimar é apoiado pelo Programa Socioambiental da Petrobras, com patrocínio de aproximadamente R$ 6 milhões para um ciclo de quatro anos, voltado ao monitoramento da Grande Reserva Mata Atlântica.
  • O manguezal é ressaltado como solução baseada na natureza para mitigar mudanças climáticas, com o carbono azul e serviços ambientais como controle de erosão, filtragem de água e proteção contra eventos extremos.

O estudo sobre caranguejos-uçá no litoral do Paraná aponta a presença de mercúrio e chumbo em amostras coletadas na Baía de Paranaguá. Pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) acompanham o estado de saúde do manguezal e de seus habitantes, como o caranguejo-uçá, para entender impactos ambientais e possíveis riscos à população que depende da região.

Antônio de Souza, conhecido como Pano, é catador e integra o Rebimar desde 2009, com apoio voluntary do Programa Socioambiental da Petrobras. Ele atua na coleta titular no período de defeso da espécie, que vai de dezembro a meados de março, período em que a pesca é restrita para permitir a reprodução.

O trabalho de campo aconteceu na região da Oceania, em Paranaguá, onde Antônio mostrou a diversidade de áreas de manguezal exploradas pela prática tradicional. O Rebimar monitora a saúde do ecossistema e a atividade dos moradores que vivem dessa atividade econômica.

Monitoramento e dados recentes

Entre os dados mais recentes, constata-se a presença de zinco, manganês e magnésio na carapaça e no tecido do caranguejo-uçá, metais naturais em muitos ambientes marinhos. Entretanto, mercúrio e chumbo foram identificados como contaminantes em concentrações que variam conforme o local e a época do ano.

Estudos conduzidos pela professora Cassiana Baptista Metri, da Unespar, indicam que o consumo do caranguejo-uçá pode apresentar riscos devido a esses metais. Ainda não há mensuração exata de quanto o consumo humano possa impactar a saúde, exigindo novas pesquisas e quantificações.

A pesquisadora ressalta que o consumo do uçá é tradicionalmente sazonal, concentrado no verão e com consumo moderado. Uma das hipóteses em investigação é a possibilidade de o animal eliminar parte dos contaminantes pela troca anual da carapaça, abrindo caminho para outros mecanismos de dispersão de metais na biomassa.

Desafios na região e impactos

A área de manguezal monitorada fica próxima a áreas de intensa atividade portuária, como o Porto de Paranaguá, além de territórios ambientais sensíveis, como a Ilha da Cotinga e a Ilha do Mel. Esses elementos ajudam a entender a dinâmica de poluição e de acumulação de metais na região.

Mesmo com a detecção de mercúrio e chumbo, a pesquisa aponta que o caranguejo-uçá apresentava funcionamento saudável em termos de comportamento e atividades diárias, o que complica a interpretação de riscos diretos ao animal sem extrapolar para a saúde humana sem estudos adicionais.

Visão de futuro e importância da conservação

O Rebimar utiliza imagens de satélite, drones e georreferenciamento para mapear 49 mil hectares de manguezais na Grande Reserva Mata Atlântica, abrangendo desde o sul de São Paulo até o norte de Santa Catarina. O investimento da Petrobras, estimado em 6 milhões de reais para quatro anos, sustenta ações de monitoramento ambiental e de fauna.

A pesquisadora Sarah Sarubo destaca o papel do carbono azul, estoque de CO2 no solo dos manguezais, que supera o armazenamento de outros biomas. As áreas de mangue são consideradas soluções baseadas na natureza para mitigação de eventos climáticos extremos e para a proteção costeira, com potencial de depuração de água e redução de erosões locais.

Observa-se que o estudo busca compreender mais profundamente os caminhos de eliminação ou retenção de contaminantes pelos caranguejos e explorar, futuramente, impactos em produtos farmacêuticos ou biotecnológicos a partir da biologia do mangue.

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