- Em 2015, cientistas avistaram um pontinho azul nas Ilhas Galápagos, representando uma nova espécie de polvo.
- A descrição formal do Microeledone galapagensis foi publicada em 25 de maio, no periódico Zootaxa.
- O polvo vive a cerca de 1.773 metros de profundidade, nas Ilhas Darwin, no Oceano Pacífico.
- A análise com tomografia computadorizada permitiu observar órgãos internos sem dissecar o exemplar, preservando o material.
- A espécie foi classificada no gênero Microeledone, com diferenças em relação a Thaumeledone, como o sifão e a ausência de bolsa de tinta.
O polvo azul recém descrito foi identificado nas Ilhas Galápagos, a cerca de 1.773 metros de profundidade, durante uma expedição a bordo do navio oceanográfico E/V Nautilus. A descoberta ocorreu em 2015, quando os cientistas avistaram um pontinho azul entre a areia, no fundo do Pacífico.
Os responsáveis pela pesquisa descrevem o animal como pequeno, baixo e atarracado, com braços curtos. O exemplar foi coletado para preservação: fixação com formalina e posterior armazenamento em solução de etanol, para análises futuras.
A confirmação da nova espécie ocorreu anos depois, após análises de Janet Voight, especialista em octópodes, com apoio de tomografia computadorizada disponível no Museu Field, em Chicago. O método permitiu examinar órgãos internos sem dissecação do espécime.
Descrição e classificação
A pesquisadora observou inicialmente semelhanças com o gênero Thaumeledone, mas as características internas apontaram para outro grupo. Em 2022, a análise detalhada, incluindo boca, bico e dentes, foi possível graças ao modelo 3D criado pela tomografia, evitando a desmontagem do exemplar.
O estudo revelou diferenças marcantes: a pele era lisa e de tonalidade clara, com o azul vindo da iluminação. O sifão apresentava uma glândula de saliva muito maior do que a típica nesse grupo, e o polvinho possuía apenas um dente.
Reconhecimento científico
Foi concluída a atribuição ao gênero Microeledone, com a espécie batizada de Microeledone galapagensis. A descrição foi publicada no periódico Zootaxa, em 2026, quase 11 anos após o avistamento inicial. A descoberta amplia o conhecimento sobre polvos de águas profundas no Pacífico Equatorial.
A equipe ressalta que as profundezas ainda guardam grande parte da biodiversidade marinha. Estimativas indicam que a maior parte das espécies do oceano permanece desconhecida, reforçando a importância de pesquisas e conservação.
Repercussão e perspectiva
A descoberta destaca a utilidade de tecnologias como a tomografia para estudo de espécies raras, preservando espécimes para futuras análises. A pesquisadora líder ressalta que as profundezas das Galápagos continuam inexploradas e que novas espécies ajudam a entender esses ecossistemas.
Voight observa que o polvo azul representa a vastidão de vida oculta nas profundezas e reforça preocupações sobre impactos de atividades humanas. A descoberta estabelece um marco para pesquisas futuras na região.
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