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Povos tradicionais formam aliança inédita para defender a Mata Atlântica

Aliança de povos tradicionais lança atuação para defender a Mata Atlântica e direitos territoriais, visando políticas públicas e proteção do bioma

São Paulo (SP), 27/05/2026 - Povos tradicionais lançam aliança inédita para defender a Mata Atlântica. Foto: Vinícius Carvalho/OTSS-Fiocruz
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  • Em 27 de maio, em São Paulo, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, foi lançada a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica, no Dia Nacional da Mata Atlântica.
  • A coalizão reúne povos indígenas, caiçaras, quilombolas, caboclos, marisqueiras, povos de terreiro e pescadores artesanais para defender a Mata Atlântica e assegurar direitos territoriais.
  • A coordenação da aliança destaca a união dos povos e a busca por políticas públicas que favoreçam a preservação ambiental.
  • A deputada federal Sonia Guajajara ressaltou a importância do movimento como espaço de diálogo, denúncias e construção, e citou a necessidade de consulta livre, prévia e informada em questões de terras raras.
  • A matéria aponta riscos à Mata Atlântica — incluindo mineração, desmatamento e turismo exploratório — e destaca que restam cerca de 12,4% da vegetação original, além de abastecer água para cerca de 145 milhões de brasileiros.

Representantes de povos tradicionais lançaram nesta quarta-feira, 27, em São Paulo, a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. A apresentação ocorreu na Faculdade de Direito da USP, no Dia Nacional da Mata Atlântica, com foco na defesa do bioma.

A coalizão reúne indígenas, caiçaras, quilombolas, caboclos, marisqueiras, povos de terreiro e pescadores artesanais de diversas regiões do país. O objetivo central é proteger a Mata Atlântica e assegurar direitos territoriais dessas comunidades, assegurando políticas públicas que contribuam para a preservação ambiental.

Em entrevista à Agência Brasil, Ivanildes Kerexu, coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa e moradora da Aldeia Rio Bonito, em Ubatuba (SP), destacou que a aliança pretende unir povos para fortalecer a luta pelo território e por políticas públicas. Ela também afirmou que a preservação ambiental depende dessa união.

A deputada federal Sonia Guajajara (PSOL-SP) participou do ato e ressaltou a importância do movimento como espaço de diálogo, denúncias e construção. Segundo a parlamentar, as vozes das comunidades tradicionais precisam alcançar as estruturas legais para que as políticas públicas avancem de forma efetiva.

Guajajara alertou para riscos ligados a atividades de exploração de terras raras e minerais críticos, ressaltando a necessidade de consulta e salvaguardas. Ela afirmou que a articulação surge em um momento em que a Mata Atlântica já enfrenta severos impactos e perda de área.

Rede de proteção

A aliança é apresentada como uma rede de proteção do bioma, considerado o berço da história e da biodiversidade brasileira. Segundo os seus membros, a Mata Atlântica é desde a colonização vítima de grandes empreendimentos, especulação imobiliária e turismo exploratório, somados ao uso de agrotóxicos e à exploração de combustíveis fósseis.

Dados indicam que restam hoje cerca de 12,4% da vegetação original da Mata Atlântica, que já cobriu 15% do território brasileiro em 17 estados. O bioma abriga mais de 20 mil espécies de plantas e mais de 2 mil animais vertebrados, além de abastecer água para cerca de 145 milhões de brasileiros.

Lideranças destacaram que a proteção do bioma envolve não apenas defesa ambiental, mas também visibilidade do papel das comunidades na gestão sustentável. O movimento pretende influenciar políticas públicas e fomentar o diálogo com autoridades para mudanças que interrompam a exploração predatória.

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