- A Amazon Web Services desenvolveu RNG, uma rede de dados que combina topologias estruturadas com características aleatórias para acelerar o fluxo de informações e reduzir o consumo de energia nos data centers.
- RNG, sigla para redes de grafos resilientes, foi apresentada como solução que funciona em larga escala, indo além de experimentos anteriores com redes randômicas.
- A empresa diz ter implementado a tecnologia desde o final de 2023 e já a tem rodando em seus data centers, com a primeira implantação em Dublin, em 2024, e expansão para Alemanha e Espanha.
- Um componente-chave é o ShuffleBox, um dispositivo óptico que mistura conexões entre roteadores, simplificando a cablagem interna.
- Em comparação com redes tradicionais, a RNG afirma reduzir em 69 por cento o número de roteadores e switches, aumentar em 33 por cento a taxa de transmissão, cortar 40 por cento o consumo de energia e diminuir custos em 27 por cento.
Amazon afirma ter resolvido um problema técnico crucial para o futuro de seus data centers, acelerando o fluxo de dados e reduzindo consumo de energia. A empresa diz ter implementado a nova tecnologia desde o fim do ano passado em seus ambientes de nuvem.
A inovação envolve um design de rede “quase aleatório” que mescla estruturas tradicionais com vantagens de grafos mais dispersos. Pesquisadores já estudavam redes aleatórias há décadas, mas a escala prática era impossível até agora, segundo a empresa.
Equipe de AWS, com recrutados da academia, trabalha desde 2023 no desafio de redes aleatórias. A AWS também criou o ShuffleBox, equipamento que mistura cabos entre os roteadores para esse tipo de rede.
“Ao achatarmos a rede, eliminamos gargalos comuns a designs tradicionais”, disse Matt Rehder, vice-presidente de Engenharia de Network da AWS, em entrevista exclusiva. “A implementação em escala é inédita.”
RNG: rede de datacenter resiliente
A AWS detalhou o design em um artigo divulgado na semana passada, intitulado RNG: Flat Datacenter Networks at Scale. RNG significa grafos de rede resilientes, que não são inteiramente estruturados nem completamente aleatórios.
A equipe por trás do RNG não aposta em IA generativa como motor principal. O objetivo é tornar a arquitetura de data center mais eficiente no dia a dia, com padrões de treinamento de IA menos centralizados, segundo Rehder.
Desde a década de 1980, redes de telecomunicações e data centers costumam usar topologias do tipo fat-tree, com várias camadas de switches conectadas por nós mais densos no topo. Dados sobem e descem pela estrutura para evitar gargalos.
A partir de então, variações do fat-tree passaram a existir, mas continuam com limitações. O design costuma ser confiável, porém rígido, com cabos complexos, o que eleva custos de infraestrutura.
ShuffleBox e cabos
Em centros de dados da Amazon, são contabilizados cerca de 20 milhões de quilômetros de fibra óptica, distância que equivaleria a viajar da Terra à Lua e voltar 25 vezes. O ShuffleBox organiza conexões de forma mais eficiente.
Rehder aponta que a RNG reduz o número de roteadores em 69%, aumenta a vazão de dados em 33%, diminui consumo de energia de rede em 40% e reduz custos operacionais em 27%, na comparação com redes tradicionais.
A primeira implantação do RNG ocorreu em um data center de Dublin em 2024, seguida pela expansão na Alemanha e na Espanha. Hoje, a maioria dos novos data centers já recebe essa rede.
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