- A Petroecuador anunciou um novo projeto envolvendo fraturamento hidráulico no Bloco 57 (Shushufindi Libertador), na província de Sucumbíos, na Amazônia, com previsão de extrair 930 barris por dia, usando a empresa de serviços Chuanqing Drilling Engineering Corporation (CCDC).
- Especialistas ressaltam que o fraturamento em calcário costuma usar menos água e pressão do que o fracking de xisto, e destacam incertezas sobre impactos ambientais e a real intensidade do processo.
- Críticos afirmam que o governo não explicou a diferença entre fracking e fraturamento, nem forneceu dados sobre volumes e origem da água ou sobre o destino da água usada no processo.
- Não há estudos hidrogeológicos públicos disponíveis sobre o risco de contaminação de aquíferos próximos ao Bloco 57, que fica perto de áreas de rios e ecossistemas sensíveis da Amazônia.
- A produção de petróleo representa parcela significativa das exportações e do PIB do país, e há debate sobre ampliar energia renovável, com críticos dizendo que o investimento em renováveis é menor que o em óleo e gás.
A companhia estatal Petroecuador informou, no início deste mês, um novo projeto de exploração de petróleo na Bacia 57, conhecida como bloco Shushufindi Libertador, na região amazônica de Sucumbíos. O anúncio mencionou uso de fraturamento hidráulico para liberar óleo e gás, em um contexto de exploração de rocha calcária. Observadores destacaram preocupações ambientais associadas a operações de fraturamento de alta vazão.
A divulgação gerou debates sobre os impactos ambientais, especialmente em relação ao consumo de água e à possível contaminação de aquíferos. Enquanto o governo descreve a condição como uma etapa de exploração, críticos pedem mais clareza sobre técnicas específicas, volumes de água e destinos de efluentes. Até o momento, não foram apresentadas informações detalhadas ao público.
O projeto envolve a extração de cerca de 930 barris diários, com apoio da empresa Chuanqing Drilling Engineering Corporation (CCDC), subsidiária da CNPC. A área fica próxima a áreas sensíveis da região amazônica, o que aumenta o interesse de organizações ambientais sobre possíveis riscos.
Panorama técnico e ambiental
Especialistas afirmam que fraturamento em rochas calcárias tende a exigir menos água e pressão do que fracking em shale. No entanto, críticos ressaltam que o risco não é zero e que falta transparência sobre dados hidrológicos, inclusive fontes de água utilizadas e métodos de descarte de resíduos.
Representante da Wildlife Conservation Society no Equador, Sebastián Valdivieso, afirmou que o governo está aplicando fraturamento com maior intensidade para extrair petróleo remanescente, sem dados disponíveis sobre volumes de água. Ainda não houve estudos públicos sobre contaminação de aquíferos na área.
A Petroecuador não respondeu a pedidos de comentário sobre o assunto. O petróleo é responsável por parte relevante das exportações do país e de uma parcela considerável do PIB, segundo fontes internacionais citadas pela reportagem.
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