- Estudo publicado na Nature aponta que tempestades com granizo maior que uma bola de gude podem crescer entre 38% e 47% até o fim do século, dependendo das emissões de gases de efeito estufa.
- Técnicas de modelagem mostram que o aquecimento global aumenta o vapor d’água e a energia na atmosfera, gerando correntes ascendentes mais fortes e granizo que persiste mais no ar.
- Os maiores granizos podem chegar ao solo com mais peso e velocidade, elevando os danos a estruturas urbanas, veículos, painéis solares e plantações.
- Os prejuízos são expressivos: em torno de US$ 10 bilhões por ano nos Estados Unidos e cerca de US$ 80 bilhões globalmente.
- Regiões com maior aumento previsto incluem Argentina, Europa, Canadá e as planícies do norte dos Estados Unidos; algumas áreas tropicais podem ter queda em granizo menor.
As mudanças climáticas podem tornar o granizo um dos eventos extremos mais caros das próximas décadas. Um estudo publicado na Nature, com repercussão da Associated Press, aponta que o aquecimento global tende a favorecer a formação de pedras maiores e mais danosas, com impactos sobre telhados, veículos, plantações, painéis solares e infraestrutura urbana.
A pesquisa estima que tempestades com granizo maior que uma bola de baralho podem crescer entre 38% e 47% até o fim deste século, a depender das emissões de gases de efeito estufa. Em contrapartida, as tempestades com granizo menor devem diminuir. A lógica é que mais calor mantém mais vapor d’água na atmosfera, alimentando as correntes ascendentes.
A explicação central envolve a atmosfera aquecida: mais vapor d’água gera mais energia e correntes ascendentes mais fortes, o que favorece granizo de maior tamanho. Pesquisadores destacam que pedras maiores sobrevivem melhor ao atravessar camadas de ar e atingem o solo com mais força.
Estudos mostram que granizos de maior peso tendem a causar danos estruturais significativos. Em termos financeiros, o granizo gera perdas bilionárias nos Estados Unidos e no mundo, com estimativas de cerca de US$ 10 bilhões anuais no país e US$ 80 bilhões globalmente.
Especialistas ressaltam que padrões de construção não acompanham a intensificação dessas tempestades. Granizos de aproximadamente cinco centímetros podem causar grandes danos a veículos, telhados, painéis solares e outras infraestruturas, conforme reconhecido por pesquisadores da ETH Zurich.
O relatório aponta que a expansão urbana em áreas vulneráveis e a ampliação de equipamentos expostos, como usinas solares, elevam o risco de danos. A resiliência de cidades depende de onde constroem, do que constroem e do nível de proteção adotado.
Modelagens em 3D simulam cenários climáticos para entender a formação de granizo. Os autores destacam que o aumento do vapor d’água por cada grau de aquecimento eleva a capacidade de granizar, mantendo as pedras no ar por mais tempo para crescer.
Segundo os pesquisadores, regiões como Argentina, Europa, Canadá e as planícies do norte dos EUA devem enfrentar os maiores aumentos de granizo extremo. Já em áreas tropicais, pode ocorrer redução de granizo menor devido ao derretimento rápido das pedras antes de tocar o solo.
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