- Pesquisadores decifraram o Borg cipher, um manuscrito de 408 páginas escrito à mão e com símbolos enigmáticos na biblioteca vaticana, revelando tratamentos para “afecções do corpo humano”.
- A decodificação foi possível com inteligência artificial, que ajudou a entender as milhares de receitas e práticas medicinais descritas no texto, com referências a vinho, noz-méca e outros ingredientes.
- O grupo de Beáta Megyesi, da Universidade de Estocolmo, busca expandir o uso de IA para abrir códigos históricos, visando transformar documentos criptografados em textos legíveis.
- Projetos como o Descrypt trabalham para criar ferramentas de IA capazes de transcrever e decifrar manuscritos com símbolos incomuns, acelerando a pesquisa em arquivos ao redor do mundo.
- A iniciativa já testou métodos em outras cifras históricas, incluindo a carta de Charles V e o ciclo de mensagens cifradas do Copiale, demonstrando potencial para lidar com diferentes línguas, estilos de escrita e níveis de complexidade.
A Biblioteca do Vaticano revelou que um manuscrito antigo, com 408 páginas e símbolos indecifráveis, guarda remédios para “afeições do corpo humano”. O códice Borg, escrito à mão, passou quatro séculos em silêncio antes de ser decifrado com apoio de inteligência artificial. A descoberta expõe práticas de cura que eram mantidas em segredo por receio de acusações de bruxaria.
Pesquisadores utilizaram aprendizado de máquina para decifrar o texto, que antes parecia ininteligível devido a 34 símbolos, alguns Romanos e uma primeira página em árabe. Embora parte do material estivesse danificado, a leitura revelou dezenas de tratamentos inusitados, como o consumo de vinho ou a fermentação de noz-mófuga em massas para combater a disenteria.
Beáta Megyesi, professora de linguística computacional da Universidade de Estocolmo, lidera a equipe responsável pela decodificação. O projeto integra IA para desvendar cifras históricas, permitindo avanços em textos com sistemas de escrita raros ou não padronizados.
A iniciativa demonstra que aproximadamente 1% do acervo de arquivos mundiais pode conter textos criptografados. Códigos antigos são encontrados desde a Grécia e Roma, frequentemente protegendo informações diplomáticas, rituais de sociedades secretas ou registros médicos.
Partes do Borg cipher utilizam uma cifra de substituição, em que símbolos substituem letras. Em outros casos, a língua original permanece desconhecida e sinais adicionais servem como iscas para dificultar a leitura. O esforço envolve trabalho de transcrição, análise de padrões e validação humana.
Pesquisadores já exploram a possibilidade de explorar imagens das páginas, sem transcrição prévia, para decodificação de mensagens simples. O método foi testado no Copiale cipher, documento de um século XVIII, revelando rituais de uma sociedade secreta alemã. O objetivo é ampliar o alcance a línguas e grafias não padronizadas.
A equipe desenvolve ferramentas de IA que combinam transcrição e decifração em um único fluxo. Em conjunto com modelos de linguagem, os sistemas buscam indicar hipóteses sobre a leitura, evitando interpretações não verificadas.
Além do Borg cipher, os pesquisadores já trabalharam com outras cifras históricas, incluindo cartas de uma imperatriz inglesa durante o século XVI. O uso de IA promete acelerar a análise de textos criptografados, ampliando o conjunto de dados disponíveis para treinamento de modelos.
Megyesi evidencia que o ganho está em velocidade, escala e na capacidade de cruzar diferentes tipos de código com textos históricos. O próximo passo envolve compor uma base de dados de scripts cifrados para treinar IA capaz de decifrar códigos ainda não completamente compreendidos.
Entre na conversa da comunidade