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Inflamação silenciosa pode ameaçar a saúde do coração

Estudo POSEIDON em Atenas mostra que 42% de pacientes com doença cardiovascular têm inflamação elevada, mesmo com tratamento, indicando risco residual

Além da gordura: placas que obstruem artérias também abrigam inflamação (phonlamaiphoto/AdobeStock/Reprodução)
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  • O estudo internacional POSEIDON, com 18.904 pacientes em 18 países, mostrou que 42,7% de pessoas com doença cardiovascular apresentam inflamação elevada mesmo com tratamento padrão.
  • A inflamação elevada, medida pelo marcador hsCRP (especialmente quando ≥ 2 mg/L), foi observada em pacientes com aterosclerose associada a doença renal crônica ou insuficiência cardíaca.
  • Os dados, apresentados no congresso anual da Sociedade Europeia de Aterosclerose em Atenas, sugerem um “risco residual inflamatório” mesmo com controle dos fatores clássicos.
  • A pesquisa aponta a necessidade de terapias direcionadas contra a inflamação cardiovascular e reconhece que parte do benefício de alguns medicamentos atuais pode estar ligado à redução da inflamação.
  • Embora o controle de colesterol, pressão e glicemia siga fundamental, especialistas destacam que ainda não há tratamento amplamente estabelecido para inflamação cardíaca; estudos devem definir quem mais se beneficia de terapias anti-inflamatórias.

A inflamação persistente nos vasos sanguíneos e no coração, chamada de inflamação cardiovascular, é apontada como uma das razões pelas quais pacientes com fatores de risco continuam sofrendo infarto, derrame e insuficiência cardíaca mesmo com tratamento. Novo estudo internacional reforça essa leitura, ao identificar um “risco residual inflamatório”.

O estudo POSEIDON avaliou 18.904 pacientes em 18 países. Constatou que 40% apresentam inflamação elevada, medida pelo marcador hsCRP, mesmo sob tratamento padrão para colesterol, pressão arterial e diabetes. A pesquisa incluiu pessoas com aterosclerose associada a doença renal crônica ou insuficiência cardíaca.

O que foi medido e como

Os pesquisadores usaram hsCRP para detectar inflamação cardiovascular, com limiar de 2 mg/L ou mais. O marcador já é utilizado em várias diretrizes internacionais como complemento do risco cardiovascular. Entre os pacientes com aterosclerose e doença renal crônica, 42,7% tinham inflamação elevada. Resultado semelhante ocorreu em pacientes com insuficiência cardíaca.

Implicações para o manejo clínico

Os autores apontam um “risco residual inflamatório” mesmo com controle dos fatores tradicionais. Isso reforça a necessidade de terapias direcionadas para reduzir a inflamação cardiovascular. Medicamentos para diabetes e obesidade, em alguns casos, têm mostrado benefício cardiovascular possivelmente associado à redução da inflamação.

Sobre tratamentos atuais e diretrizes

Especialistas destacam que a inflamação cardiovascular é multifatorial e ainda não há tratamento específico amplamente estabelecido. Organizações como a Sociedade Europeia de Aterosclerose, a American Heart Association e o American College of Cardiology reconhecem a hsCRP como marcador relevante para avaliação de risco.

O que isso significa para pacientes

Não é recomendada mudança abrupta no manejo; o foco permanece no controle de colesterol, pressão, glicemia, peso e hábitos de vida. Parar de fumar, atividade física regular, alimentação balanceada e sono adequado continuam pilares da prevenção. O estudo indica, porém, que o risco pode existir mesmo quando parâmetros tradicionais estão sob controle.

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