- O estudo do LACLIMA aponta avanço das metas do G20, mas alerta que reflorestamento não pode justificar aumento de combustíveis fósseis.
- Há divergências metodológicas nas NDCs, o que dificulta comparar esforços entre países e demanda financiamento, tecnologia e capacidades para implementação.
- A escolha do ano-base altera a percepção de ambição; desenvolvidos costumam usar 1990, enquanto emergentes já adotam 2005 ou 2015.
- Europa é citada como exemplo de continuidade, enquanto o Brasil foca na redução do desmatamento, com base em 2005, projetando cerca de 1,2 GtCO₂e em 2030 e 845 MtCO₂e em 2035.
- A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris impactou o financiamento climático mundial, aumentando a pressão sobre outros países desenvolvidos, sem provocar um efeito dominó.
O estudo do LACLIMA analisa as metas climáticas do G20 até 2035, mostrando avanço na ambição, mas diferenças metodológicas persistem. O relatório destaca a dificuldade de comparar planos entre países e o desafio de conciliar reflorestamento com expansão de combustíveis fósseis.
A pesquisa, divulgada no fim de maio de 2026, aponta que as NDCs evoluíram, porém mantêm heterogeneidade na base de cálculo, metas absolutas e cenários projetados. Financiamento, tecnologia e capacidades são fatores-chave para a implementação.
A não uniformidade entre as NDCs compromete a medição do esforço global, segundo André Castro Santos, diretor técnico do LACLIMA. O texto cita a flexibilidade do Acordo de Paris como entrave à comparabilidade entre países.
O estudo aponta que anos-base diferentes influenciam a percepção de ambição: países desenvolvidos costumam usar 1990, enquanto emergentes adotam 2005 ou 2015. Desse modo, reduções absolutas podem parecer menores para quem aplica anos mais recentes.
A análise mostra que, embora haja continuidade na redução de emissões, há trajetórias distintas de descarbonização, com maior continuidade na União Europeia e no Reino Unido. Esses países iniciaram o enfrentamento mais cedo, ainda sob Kyoto.
Europa e trajetória mais linear
A Europa apresenta avanços até 2030 e quedas adicionais até 2035, segundo o relatório. Países desenvolvidos teriam obrigações históricas mais antigas, facilitando o ritmo atual da transição energética.
Por outro lado, emergentes começam a avançar mais próximo de 2030, em parte condicionados a financiamento externo para a transição. Castro ressalta a dependência de recursos para acelerar mudanças.
Florestas ajudam, mas não substituem fósseis
O documento discute metas líquidas de emissões e alerta que não se pode usar compensação ambiental para ampliar emissões de combustíveis fósseis. A ideia é reduzir emissões e aumentar o carbono armazenado em biomassa.
Segundo o estudo, reflorestamento e conservação são importantes, mas não substituem a descarbonização estrutural da economia global. A diferença entre carbono fóssil e de biomassa é destacada como crítica.
Brasil no debate sobre petróleo e floresta
No Brasil, a estratégia climática foca na redução do desmatamento e no papel da floresta na remoção de carbono. A projeção é de cerca de 1,2 GtCO₂e em 2030 e 845 MtCO₂e em 2035, usando 2005 como base.
Castro aponta que a floresta tropical brasileira é vital para o equilíbrio climático regional e global, influenciando a disponibilidade de chuva. Ele acrescenta que o país ainda precisa amadurecer o debate sobre expansão de combustíveis fósseis.
Transparência climática ganha peso
O relatório reforça a importância de sistemas de transparência e monitoramento. Embora haja avanços na formulação de metas, diferenças metodológicas exigem cautela na leitura da ambição climática. A transparência aumenta a pressão por mudanças.
Saída dos EUA e financiamento internacional
O documento analisa o impacto da saída dos EUA do Acordo de Paris, em 2026, sobre o financiamento climático. O fim de aportes diretos reduziu recursos globais para políticas ambientais, pressionando outros países desenvolvidos.
Apesar da saída americana, não houve efeito dominó entre economias. A expectativa é de que os EUA possam retornar ao acordo com mudanças políticas futuras.
Realidade mais presente
O diretor do LACLIMA destaca que a agenda climática ganhou consistência após o Global Stocktake de 2023, com impactos visíveis na percepção pública. E afirma que o negacionismo tende a recuar diante de evidências climáticas.
A experiência atual reforça a necessidade de políticas de transição claras, com incentivos para reduzir emissões, investimentos em energia de baixo carbono e monitoramento robusto.
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