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Mulheres negras têm quase o dobro de risco de morte materna no Brasil

Mulheres negras têm quase o dobro de risco de morte materna; desigualdades raciais persistem em gravidez, parto e pós-parto no Brasil

Mulheres negras têm quase o dobro de risco de morte materna em relação às brancas, segundo estudo
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  • Entre 2000 e 2020 foram registradas quarenta mil e noventa mortes maternas no Brasil, com quase sessenta por cento ocorrendo entre mulheres pretas e pardas.
  • Mulheres negras têm quase o dobro de risco de morte materna em relação às brancas.
  • As principais causas foram: condições obstétricas mal definidas (29,9%), hipertensão na gravidez (21,3%), complicações do parto (15,2%) e no pós-parto (13,2%); abortos representam 7,8%.
  • Quase metade das mortes ocorreu no pós-parto imediato (até quarenta e dois dias após o fim da gestação), representando 46,9% dos óbitos.
  • Indígenas apresentam mortalidade materna mais de duas vezes superior à das mulheres brancas; desigualdades regionais e falhas na assistência indicam racismo estrutural e dificuldades no acesso ao pré-natal.

A pele desempenha papel decisivo no risco de mortalidade materna no Brasil. Entre 2000 e 2020, foram registradas 40.907 mortes relacionadas à gestação, com quase 60% ocorrendo entre mulheres pretas e pardas. O estudo, publicado em janeiro no International Journal of Environmental Research and Public Health, aponta que esse grupo tem quase o dobro de risco em comparação às mulheres brancas.

A pesquisa evidencia desigualdades persistentes na assistência durante gravidez, parto e pós-parto. Autora principal, a enfermeira Giovana Aparecida Gonçalves Vidotti, destaca que as diferenças não se devem apenas a falhas assistenciais, mas a fatores estruturais que envolvem acesso, qualidade do cuidado e condições sociais.

A mortalidade materna abrange óbitos durante a gestação ou até 42 dias após o término, ligados ao período gestacional. No Brasil, os índices variam por região e por grupo, ainda após a queda observada na pandemia de Covid-19. A meta da OMS é chegar a 70 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030; em 2024, o índice foi de 57 por 100 mil.

Principais causas e fatores

Segundo o estudo, as principais causas são condições obstétricas mal definidas (29,9%), hipertensão na gravidez (21,3%), complicações do parto (15,2%) e no pós-parto (13,2%). Abortos representam 7,8% dos óbitos. Quase metade ocorreu no pós-parto imediato, até 42 dias após o fim da gestação.

Especialistas ressaltam que grande parte das mortes poderia ser evitada. A mortalidade materna continua a indicar a qualidade da assistência em saúde e as condições sociais do país. Nível elevado e persistente de desigualdade preocupa profissionais de saúde.

Entre as constatações mais alarmantes estão o risco maior entre mulheres negras e indígenas, com mortalidade de indígenas mais de duas vezes superior à de brancas. Fatores como racismo estrutural e dificuldades no acesso à assistência impactam no atendimento e no manejo clínico.

A sobreposição de fatores sociais, como menor acesso a serviços de qualidade e atraso no início do pré-natal, é apontada como contribuinte. Falhas incluem acesso inadequado, identificação precoce de riscos e encaminhamentos para serviços de maior complexidade.

O pré-natal no Brasil apresenta cobertura elevada, mas a qualidade do acompanhamento é desafio público. As referências indicam um total de consultas menores do que o ideal, com carência de profissionais, equipamentos e infraestrutura em algumas regiões.

Condições econômicas e sociais agravam o quadro. A baixa escolaridade está associada a maior risco, pois dificulta o acesso a informações e cuidados. Regiões Norte e Nordeste aparecem entre as mais vulneráveis. Os próximos passos da pesquisa devem aprofundar análises para orientar políticas públicas mais eficazes.

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