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Por que a IA do Google não consegue soletrar ‘Google’

IA do Google erra ao soletrar “Google”, evidenciando limitação fundamental dos grandes modelos de linguagem em ler letras e impactos na confiabilidade da busca

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  • A IA do Google afirmou que o nome da empresa tem dois Ps, erro que viralizou e expõe limitação dos modelos de linguagem ao ler texto.
  • Além de Google, o AI Overview cometeu tropeços como afirmar que “poop” tem um R, soletrar “journalism” e citar dois Ds, e escrever “Goolle”.
  • Outros exemplos citados incluem “kangaroo” com três Ps e o sobrenome do presidente incorreto, com “t-r-p-u-m”.
  • Especialistas explicam que a falha decorre da arquitetura dos grandes modelos de linguagem, que operam com tokens e não leem letras isoladas.
  • O Google confirmou a dificuldade com contagem de letras dentro de palavras e disse que trabalha para resolver o problema, mas especialistas veem que solução definitiva é complexa.

A IA do Google errou ao soletrar o próprio nome. Questionada sobre quantos Ps existem em “Google”, a ferramenta AI Overview afirmou que são dois. O episódio, registrado por um usuário no X na quarta-feira, 27, viralizou rapidamente. O caso evidencia limitações dos grandes modelos de linguagem (LLMs) ao ler texto.

Além de Google, o AI Overview cometeu outros deslizes documentados por usuários. Em inglês, afirmou que a palavra “poop” tem um R, quando não há nenhum. Também disse que “journalism” tem dois Ds e soletrou a palavra como j-o-u-r-n-a-d-i-s-m. Ainda houve erro no sobrenome do presidente dos EUA, além de relatos de “kangaroo” com três Ps e “Google” como Goolle.

Por que a IA não consegue soletrar?

A explicação está na arquitetura. Pesquisadores apontam que os LLMs usam a estrutura transformer, que não lê letras isoladamente: o prompt vira uma codificação. O modelo não enxerga T, H, E como letras separadas, mas processa tokens, que podem ser uma palavra inteira, sílaba ou fragmento de letra.

Na prática, a IA entende o sentido de palavras, mas não a sequência de letras que as forma. Ela opera com unidades de processamento que não correspondem à grafia que conhecemos. Esse é o cerne da dificuldade em soletrar nomes próprios e termos simples.

O que a Google diz e o que se espera

A empresa reconheceu a falha. Em e-mail ao TechCrunch, o Google informou que contar dentro das palavras é desafio conhecido para LLMs e que trabalha para resolver esse caso específico. Pesquisadores, no entanto, não são otimistas quanto a uma solução definitiva.

Segundo Sheridan Feucht, doutorando na Northeastern University, é difícil definir o que seria uma “palavra” para modelos, mesmo com vocabulário de tokens perfeito. Ainda assim, os modelos tendem a fragmentar unidades em partes menores.

A utilidade dessas ferramentas raramente depende da capacidade de soletrar, o que torna o problema menos urgente para desenvolvedores. Em 2024, quando o AI Overview foi lançado, a ferramenta citou posts satíricos e chegou a sugerir comer pedras ou colocar cola na pizza, reacendendo dúvidas sobre o papel da IA generativa na vitrine da empresa.

Implicações para IA em outras áreas

A mesma limitação aparece em geradores de imagem, com versões como Gemini e ChatGPT. Há queixas sobre a escrita dentro de imagens, inclusive em mãos. Em 2024, um vídeo mostrou o ChatGPT lutando para produzir a palavra “Honda”, entregando “Chu” na primeira tentativa.

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