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SUS amplia proteção vacinal contra doença pneumocócica

SUS amplia proteção contra doença pneumocócica com a vacina 20-valente, substituindo a 10-valente para abranger mais sorotipos e reduzir meningite bacteriana

Vacina previne doenças causadas pela bactéria pneumococo, como sinusite, pneumonia e meningite
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  • A partir de junho, o SUS vai oferecer a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), substituindo a versão 10-valente para ampliar a proteção contra a doença pneumocócica.
  • O Ministério da Saúde publicou um guia técnico preliminar com orientações para profissionais de saúde; os municípios podem começar a aplicar assim que receberem o imunizante.
  • A doença pneumocócica pode causar de otite a meningite e sepse; estima-se que o pneumococo seja responsável por até cinquenta por cento dos casos de meningite bacteriana em crianças.
  • Entre 2013 e 2019, a média anual de meningite pneumocócica em crianças até cinco anos foi de cento e sessenta e quatro casos; de 2022 a 2024, subiu para 211,3 casos, com grande participação de tipos não prevenidos pela VPC10.
  • Grupos de alto risco receberão a VPC20; no esquema, bebês devem tomar duas doses aos dois e aos quatro meses, com reforço aos doze meses, com regras de transição durante a mudança entre as vacinas.

O SUS vai ampliar a proteção vacinal contra a doença pneumocócica a partir de junho. O imunizante VPC20, de 20 valentes, substituirá a VPC10 para dobrar a cobertura de bactérias combatidas, visando conter o aumento de meningite bacteriana.

O Ministério da Saúde publicou um guia técnico preliminar com orientações para profissionais de saúde. Municípios poderão iniciar a aplicação assim que receberem o lote do novo imunizante.

A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae e pode evoluir de quadros leves, como otite e sinusite, a pneumonia, meningite e sepse. Crianças, idosos e pessoas com comorbidades são mais vulneráveis.

Aumento de casos e cenário epidemiológico

A vacinação com a VPC10, iniciada no calendário infantil em 2010, reduziu em 60% a meningite causada por 10 sorotipos. Já a meningite pneumocócica caiu 65% entre crianças até dois anos.

Entre 2013 e 2019, a média anual de meningite pneumocócica em crianças até 5 anos ficou em 164 casos. De 2022 a 2024, esse indicador subiu para 211,3 casos, segundo vigilância do Ministério da Saúde.

Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, aponta que a alta atual reflete uma mudança epidemiológica provocada pela própria eficácia das vacinas. Ela destaca o efeito de substituição: ao reduzir um tipo, outros ganham espaço.

Maior proteção com a vacinação 20-valente

Dados de vigilância indicam que quase 40% dos casos graves com amostra entre 2018 e 2023 foram causados por dois tipos não previstos pela VPC10, mas incluídos na VPC20. Nos menores de 1 ano, 11% dos casos de meningite são atribuídos aos sorotipos adicionais da 20-valente.

A adoção da VPC20 pode reduzir a incidência ao direcionar proteção aos sorotipos hoje mais prevalentes. Além disso, a vacinação pneumocócica conjugada ajuda a reduzir a colonização bacteriana na faringe, contribuindo para proteção indireta.

Quem tem mais risco

O Programa Nacional de Imunizações já dispõe de vacinas VPC13 e VPP23 para grupos específicos, que também serão substituídas pela VPC20 quando os estoques atuais terminarem. Grupos de alto risco incluem pessoas com HIV, pacientes oncológicos, transplantados, imunodeficientes, e portadores de doenças crônicas.

Esquema de vacinação durante a transição

O calendário básico prevê duas doses da vacina aos 2 e 4 meses, com reforço aos 12 meses. Na transição, a primeira dose pode ser da VPC20 e o reforço, também. A segunda dose fica para a VPC10 em algumas situações, conforme orientação de saúde pública.

A recomendação é que quem estiver com febre adie a vacinação. A contraindicação ocorre apenas para alergias graves a componentes da fórmula ou histórico de reação alérgica severa a doses anteriores.

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