- James Manyika, vice-presidente sênior do Google, afirmou que para o Brasil e outros países do Sul Global é mais vantajoso atuar na aplicação de IA do que tentar criar uma própria, devido aos custos bilionários envolvidos.
- O Google anunciou o SynthID, marca d’água invisível para conteúdos gerados por IA, com adesão de parceiros como OpenAI, EvelenLabs e Kakao, visando identificar conteúdos sintéticos.
- Em relação à IA geral, Manyika estima que possa existir em 5 a 10 anos, dependendo de avanços para tornar a AGI mais estável e confiável; hoje as arquiteturas transformer ainda começam com alto custo de processamento.
- Para contornar a escassez de chips de memória, o executivo aponta a necessidade de ampliar a oferta de memória e defende a pesquisa em diferentes arquiteturas de IA que reduzam a demanda computacional.
- Na prática, países do Sul Global devem buscar acesso a modelos variados (incluindo pesos abertos) e investir em infraestrutura para treinamento distribuído, priorizando a aplicação da IA para transformar economias e serviços públicos, como previsão de inundações.
A corrida pela IA pode favorecer o Brasil mais pela aplicação do que pela criação de uma plataforma própria. Em entrevista ao Estadão, James Manyika, vice-presidente sênior de tecnologias de IA e sociedade do Google, aponta o alto custo de desenvolver uma IA própria e defende foco em uso e implementação para manter soberania.
Manyika diz que, no momento, a maioria das IAs usa a arquitetura transformer, criada pelo Google, que demanda grande processamento. Ele ressalta que esse custo pode diminuir com avanços tecnológicos, o que pode alterar o cenário de competitividade no Sul Global.
O executivo aborda ainda o problema das fake news potencializado pela IA e destaca a adoção da marca d’água SynthID para identificar conteúdos gerados por sistemas como Gemini. A iniciativa ganhou adesão de parceiros, incluindo OpenAI, segundo o Google I/O.
Outro tema em pauta é a IA geral (AGI). Para ele, a AGI confiável está a 5 a 10 anos de distância, dependendo dos avanços necessários para torná-la mais estável e aplicável a diferentes contextos.
No âmbito técnico, Manyika aponta a escassez de memória como gargalo. Ele sugere que a indústria de memórias aumente a oferta para acompanhar a demanda de IA, além de ampliar a memória e a largura de banda de comunicação.
Sobre a soberania dos países do Sul Global, o executivo afirma que o custo não deve permanecer um obstáculo eterno. Existem opções como pesos abertos e infraestrutura de treinamento distribuída, para que governos e empresas tenham acesso a modelos variados.
Ele cita a possibilidade de aplicação prática da IA em setores fortes do Brasil, como fintechs e agronegócio, contribuindo para transformação econômica e social. A ideia é investir na utilização da IA para impactos públicos positivos e acelerados.
No campo regulatório, a visão é equilibrar riscos e benefícios. A regulamentação deve incentivar usos que promovam o interesse público, sem sufocar a inovação. Exemplos como previsão de inundações no Brasil são citados como casos de IA a serviço da sociedade.
Quanto ao mercado de trabalho, Manyika adianta que a IA tende a transformar empregos, não apenas eliminar funções. A tendência é o surgimento de novas ocupações e a transformação de muitas atividades, com necessidade de requalificação.
Acrescenta que a evolução dos agentes de IA, com capacidade de agir, deve ganhar espaço. A ênfase atual está em incorporar capacidades de agência a ferramentas já existentes, ampliando aplicações em busca, navegação e outras interfaces.
Ao abordar o cenário global, o Google reforça que a aposta está na aplicação prática da IA para gerar impacto econômico e social, especialmente em países que adotam a tecnologia de forma ampla, com foco em resultados reais.
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