- Brasil é referência em biocombustíveis e matriz elétrica majoritariamente renovável, mas depende de tecnologia estrangeira na cadeia de baterias para veículos elétricos.
- Estudo conjunto da Unicamp e da UFRJ aponta dependência de insumos e tecnologia de fora para baterias, motores elétricos e eletrônica de potência, com patentes majoritariamente originárias de outros países.
- Chinese presence cresce no Brasil: BYD e GWM expandem operações e fabricas locais, elevando participação de veículos elétrificados no país para mais de 11%.
- Produção local brasileira ainda depende de importações em parte da cadeia de baterias, com exemplos como a Eletra, que utiliza células importadas.
- Programas governamentais como o Mover passam a considerar armazenamento e ciclo de vida completo, buscando favorecer combustíveis renováveis e desenvolver a produção nacional de baterias e componentes.
O Brasil é referência em biocombustíveis e lidera a produção mundial de etanol, com uma matriz elétrica majoritariamente renovável. No entanto, um estudo da Unicamp e da UFRJ aponta que o país depende bastante de tecnologia estrangeira na cadeia de baterias para veículos elétricos.
A pesquisa, obtida com exclusividade pelo Jornal do Carro, analisa descarbonização e política industrial na indústria automotiva brasileira. Mostra vantagens nos biocombustíveis, mas dificuldades em áreas estratégicas como baterias, motores elétricos e eletrônica de potência.
O levantamento também destaca o peso da matriz elétrica limpa do Brasil para reduzir emissões em veículos elétricos, especialmente quando comparada a países com maior share de energia a partir de fósseis. A pesquisa sugere ganhos com híbridos e etanol em cenários de infraestrutura.
Desafio das baterias
O estudo aponta que a cadeia de baterias é a principal barreira para o avanço da mobilidade elétrica nacional. Hoje, a bateria representa cerca de 25% do valor de um veículo elétrico, com forte participação de tecnologia externa.
Dados do INPI, de 2025, mostram mais de 518 mil famílias de patentes globais em baterias desde 2013, com a China respondendo por mais de 65%. No Brasil, houve 1.599 pedidos, majoritariamente de origem estrangeira, sem grandes depósitos locais.
A produção nacional também enfrenta entraves. A Eletra, fabricante de ônibus elétricos, usa células de bateria importadas mesmo atuando com a WEG em motores e inversores.
China avança no Brasil
A presença de fabricantes chineses cresce rapidamente no mercado brasileiro. BYD e GWM passaram de importadores a produtores locais, ampliando participação. Em fevereiro, BYD exportou 53% da produção; a GWM chegou a 58%.
No Brasil, o peso dessas marcas é crescente: em 2022 os EVs representavam 0,4% das vendas; em 2025, a participação subiu para 6,8%, ultrapassando os 11% quando combinados com híbridos.
A BYD inaugurou em Camaçari uma fábrica com capacidade de 300 mil veículos/ano. A GWM anunciou investimento de 10 bilhões de reais até 2032. Geely e Leapmotor expandiram acordos industriais no país.
Impactos para o setor produtivo brasileiro
Montadoras tradicionais aceleram a eletrificação de portfolios com híbridos flex, buscando motores a etanol. Paralelamente, parcerias entre ocidentais e chineses se fortalecem para acessar plataformas elétricas.
A indústria acompanha mudanças estratégicas diante da desaceleração interna da China e da concorrência entre fabricantes. Ford, GM e outras ajustaram planos de eletrificação e foco em híbridos.
O estudo conclui que o Brasil soma vantagens estratégicas, como reserva de lítio e níquel e o portfólio de biocombustíveis, mas precisa ampliar produção local e tecnologia de baterias e eletrônica de potência. A pesquisa reforça a importância de políticas industriais para o desenvolvimento nacional.
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