Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Cigarro muda de formato, mas continua presente no mercado

Uso de cigarros eletrônicos cresce entre jovens, indicando migração da nicotina e risco cardiovascular persistente, mesmo com queda do tabagismo tradicional

Riscos: estudos já demonstram associação entre o uso de vapes e alterações inflamatórias, disfunção endotelial e aumento do risco cardiovascular, fatores diretamente relacionados ao desenvolvimento de infarto e acidente vascular cerebral (YarikL/AdobeStock/Reprodução)
0:00
Carregando...
0:00
  • Pesquisa da Socesp em São Paulo e regiões mostra uso relevante de cigarros eletrônicos, principalmente entre jovens: 12% dos homens usam regularmente e 6% ocasionalmente; 9% das mulheres regular e 5% ocasional.
  • Sobre nicotina, 16% dos homens declararam fumantes ou usuários de vape, enquanto 23% convivem com fumantes ou usuários de dispositivos; entre as mulheres, 16% são usuárias e 31% convivem com alguém que utiliza nicotina.
  • A queda do consumo de cigarro tradicional não necessariamente reduz a dependência de nicotina; pode representar migração tecnológica do hábito.
  • Nos Estados Unidos, 18,8% dos adultos utilizam algum produto derivado do tabaco, com alta prevalence entre adultos jovens, indicando trajetória semelhante em outros países.
  • Conclusão: a substituição do cigarro por novas formas de consumo de nicotina gera uma epidemia mais discreta e normalizada, com riscos à saúde, especialmente em usuários duplos.

O cigarro mudou de formato, mas não saiu de cena. O uso de cigarros eletrônicos, ou vapes, já aparece de forma relevante, especialmente entre jovens, segundo estudo da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). A pesquisa ocorreu em São Paulo, interior e litoral.

O levantamento aponta que entre homens, 12% usam vape regularmente e 6% ocasionalmente. Entre mulheres, 9% usam regularmente e 5% ocasionalmente. Ainda que a maioria não utilize esses dispositivos, há sinal de alerta para a saúde pública.

Quando questionados sobre nicotina, 16% dos homens declararam fumar ou usar vape, enquanto 23% convivem com fumantes ou usuários de dispositivos. Entre as mulheres, 16% usam nicotina e 31% convivem com pessoas que a utilizam.

Isso indica exposição direta ou indireta elevada, mesmo com o cigarro tradicional menos visível. A queda do cigarro não equivale necessariamente à redução da dependência de nicotina, mas a migração tecnológica do consumo.

A interpretação demanda cautela: a diminuição do tabaco tradicional pode refletir mudança de formato, não de dependência. Dados da Socesp reforçam a ideia de transformação de comportamento relacionado à nicotina.

A disseminação não é exclusiva do Brasil. Nos Estados Unidos, pesquisa de saúde mostra que 18,8% dos adultos usam algum produto derivado do tabaco, incluindo e-cigarettes. Jovens adultos aparecem entre os grupos mais impactados.

Observa-se substituição do cigarro por novas formas de consumo de nicotina, sem abandono da dependência. Estima-se que cerca de 20% dos adultos americanos usem vape ou outros produtos tabagísticos.

O debate sobre o mito de ser menos nocivo persiste. Aromas, design e marketing contribuem para a percepção de menor risco, porém os dispositivos liberam nicotina e químicos potencialmente tóxicos ao sistema cardiovascular e respiratório.

Estudos associam uso de vapes a inflamação, disfunção endotelial e maior risco cardiovascular, fatores ligados a infarto e AVC. O risco aumenta quando há uso duplo, com cigarro tradicional.

O cenário atual impõe desafio diferente: não basta reduzir fumantes visíveis, é preciso enfrentar uma epidemia discreta, digital e socialmente normalizada. A convivência com nicotina favorece iniciação entre jovens adultos.

As informações são da Socesp, com dados coletados em diferentes regiões do estado de São Paulo. Jaqueline Schol, assessora científica da Socesp, assina a publicação como especialista em tratamento do tabagismo.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais