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Comissão adia decisão sobre tilápia invasora após pressão de produtores

Conabio adia decisão sobre incluir tilápia na lista de invasoras; grupo técnico definirá critérios em até noventa dias, com potenciais impactos econômicos e comerciais

Setor calcula que inclusão de tilápia na lista de espécies invasoras poderia gerar prejuízo de até US$ 38 bilhões anuais (Foto: Jonathan Campos/AEN)
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  • A Comissão Nacional de Biodiversidade adiou a decisão sobre classificar tilápia como espécie exótica invasora, mantendo um grupo de trabalho para definir critérios técnicos.
  • A decisão ocorreu na 77ª Reunião Ordinária; o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que não houve deliberação ou aprovação de lista ou de qualquer classificação específica.
  • O grupo terá quinze membros, com oito do governo federal e sete da sociedade, e deverá concluir os trabalhos em até noventa dias a partir da publicação da resolução.
  • O setor de piscicultura teme impactos sanitários, ambientais e comerciais, com perdas estimadas em mais de US$ 38 milhões por ano e possível queda de até noventa por cento nas exportações de tilápia.
  • Embrapa Pesca e Aquicultura e representantes do setor florestal alertam sobre insegurança jurídica caso pinus, eucalipto e acácia entrem na relação de invasoras; a comissão assegura que critérios serão aplicados caso a caso, com base em evidência científica.

A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) adiou a decisão sobre incluir a tilápia na lista de espécies exóticas invasoras. A medida poderia abranger ainda árvores como pinus e eucalipto e frutos como goiaba, manga e jaca. A decisão foi adiada após dois dias de reunião.

Durante a 77ª Reunião Ordinária, o colegiado optou por criar um grupo de trabalho para definir critérios técnicos para a categorização de espécies invasoras no Brasil. Os trabalhos devem colaborar com uma avaliação mais criteriosa, segundo o MMA.

Até o momento, não houve deliberação sobre listas ou classificação de espécies, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O MMA reiterou que classificação como invasora não implica, por si, proibição automática de uso ou cultivo.

Categorias e prazos

O grupo terá 15 membros, sendo oito do governo federal e sete de organizações da sociedade, incluindo o setor produtivo. A conclusão dos trabalhos está prevista para 90 dias após a publicação da resolução que estabelecerá as categorias.

A estrutura prevê três grandes categorias de espécies exóticas invasoras, com eventual divisão em subcategorias conforme interesse socioeconômico. A definição considerará evidência científica e impactos econômicos.

Representantes do setor piscícola e florestal afirmam que a inclusão pode gerar barreiras sanitárias, ambientais e comerciais e insegurança jurídica. A Embrapa Pesca e Aquicultura apresentou nota técnica contrária a enquadramento automático.

O MMA ressaltou que as classificações devem ser feitas caso a caso, com avaliação individualizada. A pasta afirma manter diálogo, transparência e participação dos setores afetados no processo.

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