- A Conabio adiou por 90 dias a decisão sobre classificar tilápia e outras espécies como exóticas invasoras.
- Foi criado um grupo de trabalho com quinze representantes para definir critérios técnicos, com conclusão em até noventa dias após a publicação da resolução.
- A reunião não aprovou listas nem classificações específicas; a etapa é metodológica para orientar análises com base em evidência científica e impactos socioeconômicos.
- O Ministério da Pesca e Aquicultura afirma que o prazo funciona como adiamento da decisão e que o objetivo é dar robustez técnica e segurança jurídica à lista.
- Produtores alertam que a inclusão pode afetar imagem internacional e certificações, e destacam que tilápia representa cerca de setenta por cento da produção de peixes no Brasil.
A Conabio decidiu adiar por 90 dias a decisão sobre classificar a tilápia e outras espécies como exóticas invasoras no Brasil. O atraso acompanha orientações do MMA e do MPA, com publicação prevista de resolução.
A medida foi tomada após uma reunião de dois dias dedicada ao tema. Não houve aprovação de listas nem classificação de organismos na sessão de ontem, segundo o MMA.
O MPA afirmou que o prazo funciona como adiamento da decisão que poderia enquadrar espécies da aquicultura como invasoras. A ideia é ampliar a robustez técnica e a segurança jurídica de futuras deliberações.
Grupo de trabalho e participação
O grupo terá 15 representantes, com oito do governo e sete de organizações da sociedade, incluindo o setor produtivo. A atuação incluirá eventual chamamento de especialistas e avaliação caso a caso, com base em evidências científicas.
A meta é concluir o trabalho em até 90 dias após a publicação da resolução, que define a atuação do grupo para instruir a Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras.
Critérios e impactos potenciais
O MMA detalha três categorias de referência para a classificação de espécies exóticas invasoras, distinguindo entre sem interesse socioeconômico, com cadeia produtiva consolidada e com impactos socioeconômicos negativos.
O órgão ressalta que classificar uma espécie como invasora não implica proibição automática de uso ou cultivo. O objetivo é subsidiar medidas de prevenção e manejo para reduzir impactos à biodiversidade.
O MPA ressaltou a importância de evitar prejuízos à aquicultura, citando preocupações com efeitos econômicos e sociais de incluir espécies como tilápia, tambaqui, pacu, pirarucu, além de camarão-marinho, ostra do Pacífico e macroalga.
Impacto econômico no setor pesqueiro
Representantes do setor manifestaram preocupações sobre efeitos além do licenciamento ambiental. A Peixe BR aponta risco de interpretação internacional de que a tilápia representa ameaça ambiental, o que pode abrir precedentes para restrições em mercados estratégicos.
O setor também teme impactos em certificações internacionais, citando selos como BAP, ASC e Global G.A.P., que exigem controles ambientais rigorosos.
Dados do IBGE indicam que as espécies candidatas à lista representam cerca de 90% da produção do setor no Brasil, com movimentação estimada em 9,6 bilhões de reais em 2025. A tilápia responde por cerca de 70% da produção de peixes no país, com aproximadamente 700 mil toneladas anuais, conforme a Embrapa.
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