- Doenças crônicas não transmissíveis respondem por mais de cinquenta por cento dos óbitos no Brasil, com quarenta por cento desses casos sendo prematuros (entre 30 e 69 anos).
- Em 2021, o governo lançou um plano com metas até 2030, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
- A Unifesp projeta que metas ligadas a fatores de risco das DCNT provavelmente não serão alcançadas, inclusive a obesidade, que pode passar de 20,3% em 2019 para 28,3% em 2030.
- A obesidade atual atinge 25,7% dos adultos; atendimentos por hipertensão no SUS quase triplicaram entre 2022 e 2025, de 916,7 mil para 2,6 milhões.
- Sugestões de políticas: reforçar a atenção básica, campanhas educativas, diagnósticos ativos, monitoramento contínuo e adesão a medicamentos para reduzir custos futuros do SUS.
O Brasil corre risco de não alcançar metas ligadas a fatores de risco de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), conforme estudo da Unifesp. A pesquisa aponta que metas previstas para 2030 poderão ficar aquém do esperado, mesmo com plano lançado pelo governo em 2021.
As DCNT, como diabetes, hipertensão, obesidade e câncer, respondem por mais da metade das mortes nacionais, com 40% delas ocorrendo precocemente entre 30 e 69 anos. Além de sofrimento, exigem tratamento contínuo e elevam gastos do SUS frente ao envelhecimento populacional.
O relatório analisa dados globais e locais: a obesidade adulta no Brasil subiu rapidamente, de 20,3% em 2019 para 25,7% em 2024. A hipertensão quase triplicou de atendimentos públicos entre 2022 e 2025, de 916,7 mil para 2,6 milhões.
Projeção de metas e contexto
A pesquisa indica que as metas para obesidade não devem se manter no patamar de 2019, que era 20,3%. Em 2030, estima-se 28,3%. O consumo excessivo de álcool deve seguir em alta, com previsão de 21,3% em 2030, acima de 16,9% em 2019.
Ainda segundo o estudo, as metas de aumento no consumo de frutas e verduras e da prática de atividades físicas não devem ser alcançadas. Apenas tabagismo e consumo de bebidas açucaradas apresentam queda prevista em níveis menores que os almejados.
Caminhos para políticas públicas
Especialistas apontam necessidade de campanhas educativas e fortalecimento da atenção básica. Ações de busca ativa para diagnóstico e monitoramento devem ser ampliadas. Protocolos para manter adesão a medicamentos também são considerados cruciais para reduzir complicações.
A avaliação recomenda priorizar ações de prevenção, diagnóstico precoce e continuidade do tratamento, com foco em grandes redes de saúde. O objetivo é reduzir mortes, melhorar a qualidade de vida e conter gastos futuros do SUS.
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