- o recaatingamento é apresentado como solução estruturante para enfrentar a desertificação e a degradação da terra no semiárido, defendido na Carta Aberta do quinto Encontro Regional Nordeste do ICLEI Brasil, em Salvador.
- o documento destaca a necessidade de cooperação interfederativa, governança multinível e maior acesso a financiamento climático internacional para a implementação de ações de adaptação.
- Andrea Meza, secretária-executiva da UNCCD, afirmou que o Brasil pode ser referência global em inovação para combater a desertificação, buscando equilíbrio entre preservação, desenvolvimento econômico e impacto social.
- Carlos Gabas ressaltou o potencial da Caatinga para captura de carbono e bioeconomia, incluindo a transferência de saberes tradicionais e práticas resilientes para produção de alimentos.
- o governo federal planeja lançar o Programa Recaatingar e está próximo de aprovar o PL 1990/24, com ações voltadas à recuperação de áreas degradadas e à segurança hídrica no semiárido, em alinhamento com metas globais da COP.
O recaatingamento foi apresentado como solução estruturante para enfrentar a desertificação no semiárido brasileiro. A proposta foi defendida no 5º Encontro Regional Nordeste do ICLEI Brasil, em Salvador, com leitura da Carta Aberta no encerramento do primeiro dia.
A carta é assinada pela rede ICLEI Brasil, o Consórcio Nordeste e a Secretaria de Meio Ambiente da Bahia. O documento aponta a necessidade de soluções específicas para cada território, cooperação interfederativa e governança multinível para ampliar o acesso a financiamento climático internacional.
No evento, Andrea Meza, secretária-executiva da UNCCD, avaliou o Brasil como fonte de inovação para o tema. Ela destacou que o país tem condições de recuperar e preservar áreas locais, combinando preservação ambiental, desenvolvimento econômico e impacto social.
Carlos Gabas, secretário executivo do Consórcio Nordeste, ressaltou o potencial da Caatinga para capturar carbono e apoiar a bioeconomia. Ele citou saberes tradicionais e práticas de convivência com a seca desenvolvidas pelas comunidades locais como elementos centrais.
O debate enfatizou a busca por um modelo de gestão que equilibre conservação, economia e bem-estar social. A articulação entre restauração ecológica, fortalecimento de economias locais e participação comunitária aparece como eixo da ação climática.
Ações em prática foram descritas pelo Ministério do Meio Ambiente. Alexandre Pires, diretor de Combate à Desertificação, anunciou o futuro lançamento do Programa Recaatingar, voltado à recuperação de vegetação e combate à desertificação no semiárido nordestino.
Pires também mencionou o PL 1990/24, já aprovado pelo Congresso, para orientar recuperação de áreas degradadas e uso sustentável de recursos naturais. O objetivo é ampliar a segurança hídrica e apoiar a produção de alimentos de forma sustentável.
O governo da Bahia enfatizou a necessidade de integrar esforços pela Caatinga, destacando a importância de manter a população produtiva na região. Glauber Piva, do Consórcio Nordeste, ressaltou que o encontro serviu para compartilhar ações com especialistas e levar experiências à UNCCD.
Rodrigo Perpétuo, do ICLEI, afirmou que o encontro, realizado após a COP30, ganha relevância ao traduzir diretrizes globais em propostas locais. O evento também incluiu visitas técnicas a projetos de transição energética promovidos pela prefeitura de Salvador.
O 5º Encontro Nordeste é promovido pelo ICLEI Brasil, com parceria do Consórcio Nordeste e apoio do governo da Bahia, patrocinado pela MRV e com suporte institucional de várias organizações. O objetivo é avançar soluções para clima e biodiversidade no Nordeste.
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