- Estudo publicado na Environmental Research Letters afirma que a humanidade já ultrapassou a capacidade sustentável da Terra.
- A pesquisa analisou mais de duzentos anos de dados populacionais e ambientais e concluiu que a população atual de 8,3 bilhões não é sustentável.
- Os cientistas estimam que o patamar sustentável seria em torno de 2,5 bilhões, considerando padrões de vida confortáveis e dentro dos limites ecológicos.
- Existe uma virada demográfica desde a década de 1960: a população continua crescendo, mas a taxa de crescimento cai, com pico previsto entre 11,7 e 12,4 bilhões entre 2060 e 2070.
- O estudo aponta que o modelo atual dependeu de combustíveis fósseis e consumo acima da capacidade de regeneração da natureza, elevando riscos climáticos, perda de biodiversidade, insegurança hídrica e alimentar, além de aumentar desigualdades.
A humanidade já ultrapassou a capacidade sustentável do planeta, aponta estudo publicado na revista Environmental Research Letters. A análise, realizada por pesquisadores da Universidade Flinders, Australia, considera mais de 200 anos de dados populacionais e ambientais. O resultado indica que a demanda atual, equivalente a 8,3 bilhões de pessoas, excede o que a Terra pode suportar.
Segundo a pesquisa, a Terra conseguiria sustentar apenas cerca de 2,5 bilhões de moradores com padrões de vida economicamente confortáveis, dentro dos limites ecológicos. A distância entre população real e sustentável é significativa, com a estimativa de que o mundo já vive acima da capacidade do planeta.
Evolução demográfica e mudanças no consumo marcam o estudo. A partir da década de 1960, houve virada no comportamento populacional: o crescimento continuou, mas a taxa de aumento freou, entrando na chamada “fase demográfica negativa”. Esse desencaixe aponta para pressões crescentes sobre recursos naturais.
Os modelos indicam que a população global pode atingir entre 11,7 e 12,4 bilhões entre o fim dos anos 2060 e 2070, caso as tendências atuais permaneçam. O incremento se apoiou na dependência de combustíveis fósseis e no consumo acima da capacidade de regeneração da Terra.
O relatório associa esse padrão à ultrapassagem ecológica, que mascarou temporariamente os impactos de mudanças climáticas, poluição e degradação ambiental. Entre os riscos identificados estão maior vulnerabilidade climática, perda de biodiversidade e maiores desigualdades.
Não há previsão de colapso abrupto da civilização. Os autores destacam que as pressões são reais e crescentes, exigindo mudanças significativas. A mensagem central é de que ainda há margem para ações coletivas que revertam parte do atraso atual.
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