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Concreto com bactérias pode selar rachaduras de até 0,8 mm por 200 anos

Concreto autorreparável com esporos bacterianos fecha fissuras de até 0,8 mm e amplia a vida útil da estrutura para mais de duzentos anos

(Imagem ilustrativa)Material de construção enriquecido com esporos bacterianos que reagem à umidade para fechar fendas
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  • Concreto autorreparável com esporos bacterianos, desenvolvido pela Universidad de Tecnologia de Delft, na Holanda, mistura cimento, água e areia com Bacillus durante a betoneira.
  • As bactérias ficam adormecidas em esporos e despertam com água e oxigênio, iniciando a produção de calcário que preenche fissuras, fechando rachaduras de até 0,8 milímetros em semanas.
  • A tecnologia promete estruturas com duração superior a duzentos anos, reduzindo demolições, reformas e emissões de CO₂ relacionadas à fabricação de concreto novo.
  • Aplicações previstas para infraestrutura incluem túneis subterrâneos, plataformas marítimas e reservatórios de água; o CONFEA ressalta benefícios para a engenharia civil.
  • Desafios de viabilidade comercial incluem o alto custo das cápsulas protetoras das bactérias; pesquisas buscam reduzir o custo com lactato de cálcio alternativo, cepas regionais e aditivos em pó.

O concreto autorreparável, enriquecido com esporos bacterianos, representa uma revolução na engenharia civil. Pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, adicionaram Bacillus à mistura de cimento, água e areia. Rachaduras podem surgir, mas o material reage à umidade e fecha fissuras.

Os esporos permanecem adormecidos até o contato com água. Quando ocorre infiltração, eles despertam e iniciam um processo que libera calcário, preenchendo o espaço danificado em questão de semanas. O resultado é uma estrutura mais resistente e durável.

A pesquisa busca reduzir manutenções em obras de infraestrutura, elevando a vida útil de edificações, pontes e estruturas urbanas. O estudo reforça a ideia de que biotecnologia pode aumentar a confiabilidade de construções contra fissuras.

Como funciona o material vivo

Bactérias do gênero Bacillus são incorporadas na betoneira, na etapa de preparo. Elas estão na forma de esporos estáveis, que só atuam quando há água para ativá-las. O metabolismo gera calcário que sela a fissura.

O processo é mais eficiente em fendas de até 0,8 milímetro, onde o calcário formado impede infiltrações adicionais e corrosão de armaduras. A vedação reduz a necessidade de reparos frequentes em obras sujeitas a intempéries.

Aplicações na infraestrutura

O concreto inteligente surge como opção para túneis sob água, plataformas offshore e reservatórios de água, onde a manutenção é mais complexa. Em esses cenários, a autoper reparação reduz riscos e custos de intervenção.

Especialistas do CONFEA e de institutos internacionais destacam estruturas onde a tecnologia pode ter maior impacto. Entre elas, obras de difícil acesso e ambientes agressivos que favorecem infiltrações.

Desafios para a adoção ampla

A cápsula biodegradável que protege as bactérias eleva o custo de produção, elevando o preço do metro cúbico. Pesquisas trabalham para reduzir esse custo e ampliar a viabilidade comercial.

Entre as frentes em desenvolvimento estão a substituição do lactato de cálcio por derivados de subprodutos agrícolas, uso de cepas locais e aditivos em pó para facilitar a mistura.

Impacto ambiental e perspectiva

A indústria do cimento é responsável por parte relevante das emissões de gases de efeito estufa. Estender a vida útil das estruturas ajuda a diminuir a necessidade de novas fabricações e demolições.

A biotecnologia apressa a cura de fissuras, contribuindo para obras mais duráveis e com menor pegada ambiental. A tendência é que novos projetos avaliem custos, benefícios e impactos locais antes da adoção.

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