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Estudo aponta que a alimentação infantil vai além das escolhas familiares

Estudo mostra que alimentação infantil resulta de renda, tempo e publicidade, não apenas da escolha das famílias, destacando necessidade de políticas públicas

Mãos de criança seguram colher azul e copo branco com pedaços de frutas vermelhas. Sobre mesa azul, há dois copos com colheres: amarelo com colher vermelha e vermelho com colher verde.
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  • Estudo do Instituto Pensi, com 142 pessoas em cinco grandes centros urbanos, mostra que a alimentação infantil depende de fatores além da casa: preço, jornada de trabalho, ambiente alimentar, tempo de tela e publicidade.
  • As famílias sabem o que é comer bem, mas enfrentam cansaço, custo, tempo de preparo, aceitação da criança e influência da publicidade na prática diária.
  • As crianças exercem grande influência nas compras, pedindo marcas específicas e alimentos vistos em vídeos; pesquisas associam marketing a maior ingestão e pedidos de compra.
  • A escola pública é vista como ambiente alimentar relevante, oferecendo refeições equilibradas e funcionando como segurança nutricional; diretrizes de 2025 buscam ampliar alimentos in natura e reduzir ultraprocessados.
  • Desigualdades aparecem: famílias com maior renda planejam mais e têm acesso a frutas e laticínios, enquanto famílias de menor renda priorizam o básico; políticas públicas precisam apoiar cuidadores e a alimentação guiada por fatores sociais.

A alimentação infantil vai além das escolhas feitas em casa. Um estudo do Instituto Pensi, com relatos de 142 pessoas em cinco capitais, aponta que preço, jornada de trabalho, ambiente alimentar, tempo diante de telas e publicidade influenciam o que as crianças comem. A pesquisa foi realizada entre setembro e outubro de 2025.

A investigação, idealizada pelo Pacto Contra a Fome com apoio da Coalizão FOLU e cofinanciamento da Fundação José Luiz Setúbal, ouviu famílias de classes AB, C e DE. Os Centros Urbanos foram São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza, Belém e Goiânia. Os resultados ressaltam que o que se come depende de condições além da vontade parental.

As crianças aparecem como forças que moldam o carrinho de compras. Mesmo com desejo de oferecer refeições balanceadas, pais relatam dificuldade diante de pedidos por marcas, embalagens coloridas e conteúdos vistos na internet. Dados reforçam que marketing de alimentos amplia demanda entre jovens.

A influência da criança

O estudo destaca que a publicidade de ultraprocessados é relevante para as escolhas diárias. O Ministério da Saúde, seguindo orientações da OMS, destaca a necessidade de proteger crianças de anúncios de alimentos ultraprocessados para reduzir riscos de obesidade e doenças crônicas.

Entre os ultraprocessados, refrigerantes, biscoitos e salgadinhos aparecem como opções comuns quando há pressa, orçamento limitado ou lazer. Pesquisas internacionais associam marketing a aumento de ingestão, escolha e pedidos de compra por parte de crianças e adolescentes.

Ambiente escolar e desigualdades

A escola pública surge como ambiente alimentar decisivo, com a alimentação escolar descrita como referência de refeição equilibrada. Em 2025, o FNDE estabeleceu diretrizes para aumentar a participação de alimentos in natura e reduzir itens ultraprocessados, com metas para 2026.

Desigualdades aparecem no prato: famílias de maior renda planejam com mais antecedência e acessam frutas, verduras e laticínios, enquanto grupos C e DE priorizam o básico. Dados do IBGE em 2024 apontam insegurança alimentar em 3,2% das famílias, com maiores concentrações na região Norte.

Publicações e impactos

O ENANI-2019 indica que 80,5% de crianças de 6 a 23 meses consomem ultraprocessados, chegando a 93% entre 24 e 59 meses. Em 2026, o Unicef aponta que metade das crianças avaliadas consumiu ultraprocessados no lanche no dia anterior.

A pesquisa do Pensi reforça que, para promover hábitos mais saudáveis, é essencial considerar o conjunto de fatores sociais, econômicos e culturais que moldam o prato infantil. A responsabilidade suscita ações coletivas, não apenas escolhas individuais.

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