- Estudo com mais de 480 mil adultos no Reino Unido mostrou que baixa força muscular está associada a maior risco de AVC.
- Risco de qualquer AVC foi 30% maior em pessoas com baixa força muscular; a força de preensão manual abaixo de 27 kg (homens) ou 16 kg (mulheres) eleva esse risco em 7%.
- Quem caminhava mais devagar apresentou até 64% de risco maior de AVC em geral e 74% maior de AVC isquêmico.
- A pesquisa acompanhou os participantes por quase quinze anos, avaliando sarcopenia, ou seja, perda de massa e força muscular relacionada ao envelhecimento.
- Os autores enfatizam que a associação não é causal; testes simples podem ajudar a identificar pessoas com maior propensão ao AVC, incentivando hábitos saudáveis.
Os resultados de um estudo de grande porte publicados na revista Stroke, da American Heart Association, apontam que três fatores associados à função muscular elevam o risco de AVC. A pesquisa acompanhou mais de 480 mil adultos no Reino Unido ao longo de quase 15 anos.
Os participantes foram avaliados pela força de preensão manual e pela velocidade de caminhada. Baixa força muscular elevou o risco de AVC em 30%. A força de preensão abaixo de 27 kg para homens e 16 kg para mulheres foi considerada baixa. A caminhada mais lenta aumentou o risco geral em até 64% e o AVC isquêmico em 74%.
O que o estudo mostrou
A velocidade de caminhada lenta foi o fator mais marcante, segundo os pesquisadors. A análise apontou que a marcha reflete a integração entre cérebro, sistema cardiovascular e funcionamento global do organismo. A força de preensão é medida com dinamômetro e já é usada em geriatria e reabilitação como marcador da função muscular.
O estudo seguiu participantes por quase 15 anos, avaliando sarcopenia — a perda de massa e força muscular associada ao envelhecimento. A constatação reforça que sinais funcionais podem indicar maior vulnerabilidade cardiovascular, sem estabelecer causalidade direta com o AVC.
Interpretações clínicas
Especialistas ressaltam que fraqueza muscular não necessariamente causa AVC, mas sinaliza maior risco devido à pior saúde metabólica, inflamação e comorbidades. A marcha lenta, por sua vez, sugere menor aptidão cardiorrespiratória e reserva funcional comprometida.
A neurologista Letícia Januzi destaca que os indicadores devem ser vistos como alertas de risco. A avaliação da força de preensão e da velocidade de caminhada pode atuar como complemento a check-ups, especialmente em pessoas com comorbidades.
Significado para a prática clínica
O dinamômetro permite medir rapidamente a força de preensão, enquanto a velocidade de caminhada pode ser verificada em pequenos trechos com cronômetro ou dispositivos vestíveis. Mesmo assim, o monitoramento domiciliar não substitui avaliação médica.
Profissionais ressaltam que sarcopenia deixou de ser apenas parte do envelhecimento. Quando a perda de massa muscular afeta a função, o risco de quedas, hospitalizações e mortalidade aumenta, o que reforça a importância de intervenções precoces.
Implicações para prevenção
A pesquisa sugere que testes simples de baixo custo podem ajudar a identificar indivíduos com maior probabilidade de enfrentar um AVC. Mantidas a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle de doenças crônicas e sono de qualidade, há potencial para reduzir o risco.
A recomendação é investir em exercícios de força, como musculação e treino funcional, aliados a hábitos saudáveis. A preservação da massa muscular e da mobilidade pode contribuir para a proteção cerebral ao longo do tempo.
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